terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Lugar secreto
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Curta metáfora da estrela
Um rasgo cintilante é visto no céu, era uma estrela que se estardalhava luminescentemente. Sorrisos contemplam o seu cadente brilho, sem perceberem que aquele momento era uma despedida. Extasiados estavam com a beleza da morte, todos, ele mesmo se sentia embreagado com o estranho espetáculo de destruição da estrela. Ela se esfacelava em fogo e seus minguantes fragmentos anunciavam que nessa vida tudo é passagem. Os seus expectadores aquietaram-se, já não havia mais o que obeservar no céu, ela já não existia como corpo cintilante, embora imperceptível, dela restaram pequenas partículas que se agregarão a outras tão minúsculas quanto as dela para mostrar que tudo nesta vida é passagem até mesmo a morte, e que até mesmo a despedida pode ser o lugar do encontro.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Trevas e sabedoria
Sorriu por perceber sabedoria nas suas trevas.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Suas mentiras, suas verdades, suas loucuras.
A ressonante pergunta reverbera: o que eu sou hoje? Sou um homem enlouquecido com uma faca na mão e um falso conselheiro, e nós andamos no escuro. Essa é a verdade. Essa é a verdade.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Qual será a maior violência?
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Dramático
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Melhor escrever
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Seus impossíveis amores
Amanhecia mais uma vez, e despertando, seu primeiro pensamento era voltado para as estranhas palavras que aquela pessoa havia falado, e elas ressoavam dentro dele e ele as repetia tentando aprender o que elas diziam. Sabia que algo diferente havia acontecido, por que as palavras permaneciam. Sentia-se um bobo por guarda-las, mas mesmo assim as guardou.
Se passaram mais alguns dias. Foram se encontrar. Tinham o mar, a brisa, uma música, uma estrela, e novamente um ao outro. Você havia preparado tudo. E eu sorria.
Eu sorria para você, mas dentro de mim, eu ja gotejava, uma gota que não caiu diante dos teus olhos, mas vertia em mim, eu mostrei a minha felicidadade, mas ela não é duradoura, ela é exatamente, o mesmo tempo que você cantou as nossas músicas ao meu ouvido. E eu sorria, por que fingia para mim que você não estava indo embora, quando na realidade estava. E eu sei que você não queria ir, apenas precisa ir. E eu dizia na vida não temos tudo o que queremos, e dentro de mim eu gotejava, por que essas palavras se voltavam contra mim mesmo. E eu sorria diante dos teus olhos. E eu sorria dentro dos teus olhos.
Hoje, eu ouço nossa música aqui sozinho em minha casa. E eu daqui de casa te procuro como posso, já que eu não posso te ligar. Confesso que por causa disso já estou quebrando o nosso trato de deixarmos as coisas seguirem naturalmente o rumo, me desculpe, eu tenho minhas fraquezas e elas gritam, não consigo contê-las e eu acabo gritando também para não enlouquecer.
Me desnudei, eu precisar dizer que estou aqui, me desculpe. E não se preocupe vamos contuar naturalmente seguindo o rumo das coisas.
Continua...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Sua metalinguagem
Há coisa mais simples do que tocar o outro?
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
O lago
Naquela noite, um de seus moradores foi ao lago mais gelado, profundo e negro, despiu-se nas suas margens e passo-a-passo foi entrando na gelada água que nunca congelava. A cidade cinzenta tinha enigmas e lugares inusitados, seus próprios segredos que ningém decifrava, o lago era um deles. Moradores temiam sua água negra e fria, diziam uns aos outros, já vi pássaros pousarem no lago e terem suas patinhas e penas envolvidas em pequenos cristais de gelo. A verdade é que preferiam o medo do que desmistificarem os segredos da cidade. As águas do lago nunca se solidificavam, as dos demais sim, no inverno petrificavam, ele não, permanecia friamente líquido, e naquela noite de lua cheia e de neblina misturada com fumaça, a luz refletida criava desenhos tortuosos, dissolvidos, escorregadios, amorfos.
Nesse lago assombroso ele decidiu mergulhar nu, a noite estava gelada, os pêlos do corpo completamente ouriçados pelo vento, ele adentrava as águas, seu corpo frio pouco a pouco sentia o toque frio da água e seu sangue frio esfriava na água fria, e já totalmente imerso, seus olhos contemplavam apenas um estranho brilho azul penetrando o lago e a medida que os raios azulados desciam, ele percebia um degrade de cores que iam do azul-neon ao negro. Fascinado estava, envolto a silenciosa água, olhando para o profundo desconhecido, foi tomado por uma epifânia. Sentia que era o desconhecido que procurava. Apaziguado descia acompanhando aquela estranha luminescência, que o guiava para o fundo negro do lago, e antes de poder tocá-lo, decidiu olhar para cima e assombrou-se, as águas estavam cristalinas, podia ver as vermelhas nuvens no céu, podia ver a imensa lua dourada brilhando e rompendo a cidade cinzenta. Olhou e uma lágrima verteu, ela não se misturou com a água do lago, a lágrima era quente demais, ela foi subindo e se transformando numa poeira que cintilava como as estrelas.
Aquietou-se e quieto tocou o fundo do lago, e ele viu que o fundo do lago era brilhante como o Sol.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Pesado
Cansados estão todos os corpos do peso que já carregam,
Se perguntam, do porquê levar outro peso?
Por isso, os cansados corpos querem sentir o peso de muitos corpos simultaneamente.
Por que?
O peso do corpo quer a leveza do vento para ser livre do apego, e assim, libertar-se do cansaço da despedida.
O peso do corpo quer ser suor na pele, vapor nas bocas. Ele não quer mais ser a líquida lágrima, ele quer ser o líquido gozo, seja demorado ou rápido, mas sobretudo, passageiro. Sim, exatamente isso, ele quer ser um líquido que se escorre de um corpo a outro, desprendidamente.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Capitulo I - Do Fenix e do seu fogo
Personificou-se como Fênix, ave mítica, por ser um sonhador arraigado aos caminhos ligados ao coração, por continuamente ir buscando transformação, ir buscando mudança, ir buscando romper com padrões-arcabouços de sua alma. Personificou-se como Fênix por acreditar demasiadamente, por querer demasiadamente, por lutar demasiadamente, ainda quando falavam não ser possível. Personificou-se como Fênix por que crê, sempre creu que seus caminhos podem ser feitos através de suas ações, de sua perseverança, de sua paciência. Personificou-se como Fênix por ver que nada é pronto, acabado, definido. Personificou-se como Fênix pelas folhas aromáticas, pelo fogo, pelo verme, pela ave, pelo voo, pelos símbolos congruentes com sua vida. Personificou-se com a chama que o chamava, que não se apagava, que sempre o vislumbrava, sempre o encantava, sempre o motivava, sempre o fazia ir. Mas nem sempre é assim, nem sempre seu fogo quer inflamar-se. Nesses dias sentia-se estranho; algo no seu interior começava a mudar, o seu fogo aquietava-se. Constrangia-se por isso, tratou de alimentá-lo, lembranças e sonhos, muitos sonhos sempre o atiçavam e vivificavam suas chamas, dessa vez elas não se agitaram, e sim, lentamente se acomodavam, tornavam-se brandas, e dos tons vermelho e laranja intensos passavam a pequenas luminescências azuladas, seu fogo interior começou a se extinguir, começou a deixar de ser vivo e forte, sabia o por quê, intimamente pouco a pouco, estava indo, pouco a pouco partia. Queria arder em preciosas labaredas, mas pelas suas poucas chamas já não podia se entregar ao seu fogo, não podia ser consumido, não podia se refazer. Seu fogo diminuía e pedia a sua ida, a sua despedida, e o que tanto o motivava agora se voltava contra ele. Seu fogo é seu tempo, seus momentos sonhados, inspirados em encontros, imagens, cheiros, sons, risos, cores, seus pequenos devaneios fantásticos, mas agora, a ampulheta do seu fogo-tempo foi virada, e agora, ela marca a ida de seus pequenos grãos, dos seus momentos sonhados inspirados em encontros, imagens, cheiros, sons, risos, cores, seus pequenos devaneios, agora, são lembranças passadas.
Com o cair dos grãos-chamas na ampulheta-tempo, o sonho começou a passar, e tudo passa a se tornar real demais para que o sonho aconteça, e agora para renovar-se, o Fênix precisa deixar seu lugar, ele precisa voar. Seu voo representa a ida, indesejada, inesperada, e vai não por desejo, não por vontade, vai pela necessidade de voltar a ter o seu fogo, o seu sonho, a sua criação, o seu tempo. Há um lugar para isso o silêncio e o abismo.
Pássaro
Pássaro raro não voe para longe
Para nunca mais voltar
Pássaro raro não quero te espantar, acredite
Quero apenas que pouse no meu ombro
Juro te deixarei, voar
Só te peço...
Não vá onde eu não possa te encontrar
Passagem
A tua ida
Teimoso sou não deixo ir
Guardo imagens, sons, cheiros
Guardo filmes, conversas, risos
Guardo tudo
Pede passagem, tu mesmo
A tua ida
Teimoso sou não deixo ir
Mesmo no silêncio, na distância, na ausência
Mesmo em lágrimas, tristezas, solidão
Guardo a saudade
Pede passagem, a vida
A tua ida
Teimoso sou não deixo ir
Vem Sol, chuva, vento
Vêm novidades que mechem com a gente
Sejam em ti: "[...] somos dois"
Ou comigo: Tudo novo de novo"
Teimoso sou. Não deixo ir?
Sabe do grão que restou
Do que guarda em si
Sabe que maior é a vida. Teme por isso.
Tem em si um lugar onde abriga o grão
Guarda ali o que é especial
Estreme ao pensar se pode perder o grão de si. Não quer
Prefere carregá-lo
É a forma encontrada para está junto, mesmo na passagem que a própria vida exige
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Sentidos
Te vejo
Abro e fecho os olhos,
Repetidas vezes,
Sonho?
Procuro então tua carne, teu cheiro
Apalpo, toco
Te sinto Quente, pulsante
Excitante
E por ter tocado
Procuro mais
E por ter despertado
Quero mais
