sexta-feira, 30 de março de 2007

Velorio e Enterro

O velório





As homenagens



O último adeus




O caixão



O cemitério





O túmulo

ùltimas palavras:
Aqui jás um segredo

quarta-feira, 28 de março de 2007

Vázio

Ultimamente,
Tô sem idéias pra terminar o que comecei,
Sem vontade de concluir dois livros,
Tenho que sacramentar um segredo,
ou melhor fazer o velório e enterrá-lo,
Exatamente, a sete palmos
Mas não tenho forças.

Tenho uma coisa a dizer
O que está feito, está inacabado
Do inacabado, surgiu outros caminhos
Tenho coisas a fazer,
Mas só uma importa
Continuar explorando a caverna
Eu sou a caverna,

quarta-feira, 21 de março de 2007

Segredo

Pessoas me xingam,
Eu ouço: blá, blá, blá


Paciente não sou mais. A paciência foi embora e talvez nunca tenha existido em mim. Pq não a tinha. Sofria com o "ç" da indiferença. Mas vou explicar a minha vida para mostrar as razões que me tornaram indiferente e não paciente. Tenho como temperamentos predominantes: o fleumático e o melancólico. Pense numa mistura boa..., o primeiro, é encontrado em pessoas lentas e apáticas, o segundo, característico dos tristes e sonhadores. [Mas eu não sou uma pessoa depressiva e nem deprimente]. Há outras qualidades em mim, dignificantes por sinal, que são resultantes dessa combinação de temperamentos.
Voltemos a causa da minha indiferença...

Achei melhor começar de dentro da minha alma, por isso fui no temperamento ver quem sou. No entanto ele só disse aquilo que outros já disseram: lento, apático, triste, sonhador, tu és. Detalhe suas palavras eram fortes e convincentes, mas não quis aceitá-las. Continuei andando, encontrei a razão. Ela foi mais severa, disse que eu era preguiçoso e assassino. Atordoado com essas palavras sai da imersão em minha alma e mente, fui pro mundo, procurar nas minhas ações quem eu era. Pior que me vi.

Era noite, estava conversando com meus amigos na rua, papo agradável, mas algo se transformaria, não na vida dos meus amigos, e sim, na minha, uma nova percepção sobre mim. E tudo isso por causa de uma buraco.
[Caso você passasse por nós naquela dia e continuasse seguindo a rua iria ver, durante o dia, um buraco, já a noite, era outra conversa, somente quem era morador ou quem já havia sido sua vítima sabia que aquele buraco era perigoso].
Momentos depois, no meio da conversa um barulho enorme, uma luz que se apaga, uma pessoa acidentada.

Meus amigos correram para socorrer; eu fiquei me olhando por dois ou três segundos. Incrível como a mente parece parar o tempo em determinados momentos, enquanto os meus amigos davam o segundo passo, eu me vi paralizado e envolvido com meus pensamentos: _"Permanece olhando distante". Isso pareceu bobagem, mas não foi para mim. Qual a reação dos outros? Foi socorrer. A minha? Simplesmente ficar olhando. Ignorei por completo que a pessoa acidentada poderia estar seriamente ferida e precisando de ajuda.

A verdade é que eu não continuei parado, fui até lá prestar socorro ao motoqueiro. Ele não estava muito machucado, quando eu cheguei ele já estava em pé, vendo o estrago na moto e depois de alguns minutos, já mais consciente, foi embora.

Antes de eu continuar, digo que não estou aqui para ser julgado, nem quero sua condescendência, prefiro que você me ouça. Afinal isto é um desabafo, não uma confissão. Sei que não dei explicação alguma, sobre o porque eu não ser paciente e sim indiferente, talvez não haja explicação [mania que temos de querer saber a razão de tudo...por que? como?] Não quero mais falar disso, agora quero o silêncio, o seu e o meu.

....

Quando volto para casa começei a pensar na minha reação, ela tinha sido fria e impessoal, mas ela não se restringia somente aquele episódio, havia inúmeros outros no meu dia-a-dia, no entanto eu queria mudar e percebir que poderia. Apesar de eu não saber as causas da indiferença, já sabia o suficiente para percebê-la em mim, restava-me então iniciar o tratamento e para isso era só começar a mudar as minhas ações no meu cotidiano. No começo era difícil aceitar que pequenas mudanças seriam suficientes para transformar-me, eu não era muito crêdulo nesse tipo de homeopatia. Mas enfim, após alguns meses de tratamento já estava melhorando, a paciência já retornava a sua velha casa. Agora resta-me saber o que fazer com ela.

P.S:
És ali parte de mim, um segredo meu. Não entendeu nada do que falei. Sorry!!! Não explicarei de novo. Mas eu ainda tenho folego para dizer que não falarei nada para ser entendido. Não estou nem ai para a sua aceitação. Aqui, sou mais eu e minha loucura. Falei muito? Sorry!!! Isso foi uma armadilha para a sua paciência ou para a sua indiferença. Não sabe a resposta? Não sabe o que sente? Então direi: _"Pobre de ti". Nem conhecer-ti, você é capaz.
Ou então você é um paradoxo : você não se conhece, mas no entanto é capaz de rotular os outros? Não precisa me responder, isso é para você.

Se serve de consolo, eu também sou assim, sou mais rápido em julgar os outros, do que a mim mesmo. Talvez seja mal da raça: encontrar, rapidamente e sempre, nos outros os defeitos que você têm. Me desculpe se anteriormente eu confrontei voce de forma severa. Normalmente eu sou calmo, mas como sou bipolar... [o que posso fazer?]... meu humor pode ter varições muito rapidas e violentas, bem como o meu raciocínio pode se torna incoerente e confuso. Mas esse é um outro segredo, depois desabafarei ele...
Resta agora fazer o velório e o enterro do primeiro segredo.






segunda-feira, 19 de março de 2007

Livro de cabeceira

Quero um livro de minhas histórias. Mas ele deve ter uma narrativa muito louca, que seja igual a expressão: "sem pé nem cabeça". Textos que não obedeçam a estilística. Pq fazer um livro assim? Ora, pq eu sou um texto confuso. Alguém me entende?
Não pense que me sinto rejeitado; nem que eu seja amargurado. Na realidade eu tenho cultivado a loucura como o meu remédio e meu escudo. Incrivél isso, não acha. [Desculpe se escandalizo a sua razão]. E antes que pense em internar-me num sanatório, explicarei a minha loucura.

Ela não parte para a violência física, nem para a agressão verbal; ela é a favor da liberdade do indivíduo, da paz; ela é utópica. E principalmente, ela é minha maneira de ser, agir e pensar. Neste caso não estou só, todos somos loucos quando decidimos buscar nossa identidade, o conhecimento sobre nós mesmos. Acredite se você fizer isso será chamado de louco.

A minha busca continua. É uma pena que ela começou recentemente, ainda estou aprendendo a caminhar nas veredas da loucura. Por isso se vc me encontrar por ai, vai ver que ainda sou um menino ingênuo. Tenho muito o que aprender...

sexta-feira, 16 de março de 2007

Albergue - o filme: conteúdo antropo-filosófico

Albergue é mais um filme tipo: sexo e sangue [ 567 litros de sangue foram usados na produção]. Caso vc não tenha assistido não perdeu nada e se quer assisti-lo... perderá seu tempo? Eu, como sou mestre em perda de tempo, achei que perdê-lo mais um pouquinho não causaria nenhum problema.

De onde surgiu a idéia do filme: "O Albergue é uma mistura de alguns dos aspectos mais hediondos da natureza humana e do mundo, em geral, extraídos de histórias inacreditáveis, porém verdadeiras, sobre tráfico humano, crime organizado internacional e turismo sexual."

Mas este filme me fez pensar como o ser humano pode se tornar prisioneiro de sua vontade e que ela, sendo sempre alimentada, é uma Hidra [monstro da mitologia grega de apetite insaciável]. A história começa quando três mochileiros viajam pelo mundo pra curtirem a vida (mulheres lindas, sexo e drogas), na curtição eles ficam sabendo de uma cidade na Eslováquia, que é o inferninho na terra. Coitados..., descobrem tarde demais q lá não é um cabaré, é um matadouro sado. Caso tenha se interssado pelo roteiro, terá q assistir para saber o final.

Por trás dessa realidade "exagerada" existem mensagens verdadeiras. Matar o outro por puro prazer, diversão e egoísmo, mostra o mal de querermos mais e mais. [Apesar de ser muito estranho ver os assassinos terem orgasmos, enquanto esquartejavam as pessoas vivas; nesse filme pude perceber como é nociso termos uma Hidra, porque ela não devora apenas os outros, mas nós tb somos consumidos por ela].
Será também esse filme uma crítica ao hedonismo e ao relativismo? Afinal, para os assassinos tudo aquilo era legitimo, lícito, tolerável e perfeitamente aceitável.

Desse exagero, há outras reflexões reais:
Aqueles mochileiros tinham uma Hidra? Não, tinham sanguessugas, que eram alimentadas excessivamente.
Os assassinos tinham uma Hidra? Tinham, mas eles começaram com simples sanguessugas que eram alimentadas excessivamente.
Quem são os mochileiros? Podem ser eu e você.
E os assassinos quem são? Depende.... o q há dentro de nós.


sexta-feira, 9 de março de 2007

Fim do tunel

Há luz no fim do tunel. Já estava preocupado com tantas fortalezas construídas e armas preparadas para o meu massacre, mas vejo nesta guerra um caminho para a vitória. Mas esse caminho é difícil, especialmente para mim. Ele requer o fim de muitas práticas minhas, como a preguiça, e pede estudo, leitura, disciplina. Além disso é uma vereda da razão, da discussão, do questionamento, sem, no entanto, perder a fé.

E desde quando fé e dúvida podem habitar juntas [podem se perguntar?]? Na realidade não, mas em caminhos paralelos sim. Tenho acreditado que os problemas criados pela razão podem aprofundar a maneira de usufruirmos da fé. A minha questão é como construir caminhos entre essas duas paralelas, como transitar normalmente por elas, indo e vindo, sem cair no erro de permanecer unicamente em uma delas? Principlamente quando o da razão é mais emocionante, criativo e desbravador, já o da fé, como direi...?

Falarei o que tenho visto; o uso exclusivo da fé trouxe muitos malefícios. Hj é comum dizermos, se Deus quiser... [pronto ocorrerá], mas à realidade não é assim. A fé tem bitolado muita gente, criado seres sem personalidade, pseudo-bem-humoradas, pré-conceituosas e outros adjetivos voltados apenas para a massa. Além de ser meio de apropriação de capital, de fazer guerras e submeter as pessoas ao conformismo.

Com tantos pontos negativos, ainda assim eu não posso negar a fé; vejo o seu mal uso, sim. Mas sou um espírito, por isso resta-me ela para consolar-me neste mundo. Chamem a mim do que quiserem: de menino ingênuo, de asno, de determinista, de mais um pertencente a massa, de usar a má fé.

Afinal quem sou? Sou não-praticante da fé atual. Apontei seus defeitos, pq não me conformo mais com sua estrutura. Proponho uma Revolução no arraial dos crentes. Uma guerra contra esses os seres de luz!!!

quarta-feira, 7 de março de 2007

Procura-se um amigo

"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor... Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."

sábado, 3 de março de 2007

Esclarecimento

Não sou poeta, nem escritor. Tudo aqui é apenas um grande quebra-cabeça, cuja a peça final ainda não foi posta, e talvez nunca será. Por que? [você pode está se perguntando]. Porque tudo aqui é vivo. Exatamente, isso. Todas as peças expressam algo da vida. Evidentemente, não da sua, mas da minha. Estou em transformação. Mudando e 'desmudando' várias vezes, indo e vindo, do novo ao velho, construindo, destruindo e reciclando. O resultado é que o quebra-cabeça da minha vida acaba se modificando, justamente devido a essas transformações.
Acaso a sua vida é inerte? Eu achava que a minha era, tinha certeza disso. A tal ponto de sempre que me perguntavam: _"E as novidades?". Só respondia: "Tudo na mesma". Pra falar a verdade ainda respondo isso hj. Talvez por proteção ou apenas o costume de anos. Mas com certeza a vida tem me conduzido a novos caminhos e eu tenho aceitado essas novas veredas.

Da clara à negra ciência

Uma laranja cai E o chão impede
que ela infinitamente caia.
Impedimento
Ou o invento
De uma ciência
Que já foi gaya
E agora é triste
mente astronómica.
Raios a partam
A bomba atómica

Ode pela paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego, dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,

deixa passar a Vida!

sexta-feira, 2 de março de 2007

O jardim

Nesta caverna há um jardim,
Muito belo, por sinal!!!