quarta-feira, 21 de março de 2007

Segredo

Pessoas me xingam,
Eu ouço: blá, blá, blá


Paciente não sou mais. A paciência foi embora e talvez nunca tenha existido em mim. Pq não a tinha. Sofria com o "ç" da indiferença. Mas vou explicar a minha vida para mostrar as razões que me tornaram indiferente e não paciente. Tenho como temperamentos predominantes: o fleumático e o melancólico. Pense numa mistura boa..., o primeiro, é encontrado em pessoas lentas e apáticas, o segundo, característico dos tristes e sonhadores. [Mas eu não sou uma pessoa depressiva e nem deprimente]. Há outras qualidades em mim, dignificantes por sinal, que são resultantes dessa combinação de temperamentos.
Voltemos a causa da minha indiferença...

Achei melhor começar de dentro da minha alma, por isso fui no temperamento ver quem sou. No entanto ele só disse aquilo que outros já disseram: lento, apático, triste, sonhador, tu és. Detalhe suas palavras eram fortes e convincentes, mas não quis aceitá-las. Continuei andando, encontrei a razão. Ela foi mais severa, disse que eu era preguiçoso e assassino. Atordoado com essas palavras sai da imersão em minha alma e mente, fui pro mundo, procurar nas minhas ações quem eu era. Pior que me vi.

Era noite, estava conversando com meus amigos na rua, papo agradável, mas algo se transformaria, não na vida dos meus amigos, e sim, na minha, uma nova percepção sobre mim. E tudo isso por causa de uma buraco.
[Caso você passasse por nós naquela dia e continuasse seguindo a rua iria ver, durante o dia, um buraco, já a noite, era outra conversa, somente quem era morador ou quem já havia sido sua vítima sabia que aquele buraco era perigoso].
Momentos depois, no meio da conversa um barulho enorme, uma luz que se apaga, uma pessoa acidentada.

Meus amigos correram para socorrer; eu fiquei me olhando por dois ou três segundos. Incrível como a mente parece parar o tempo em determinados momentos, enquanto os meus amigos davam o segundo passo, eu me vi paralizado e envolvido com meus pensamentos: _"Permanece olhando distante". Isso pareceu bobagem, mas não foi para mim. Qual a reação dos outros? Foi socorrer. A minha? Simplesmente ficar olhando. Ignorei por completo que a pessoa acidentada poderia estar seriamente ferida e precisando de ajuda.

A verdade é que eu não continuei parado, fui até lá prestar socorro ao motoqueiro. Ele não estava muito machucado, quando eu cheguei ele já estava em pé, vendo o estrago na moto e depois de alguns minutos, já mais consciente, foi embora.

Antes de eu continuar, digo que não estou aqui para ser julgado, nem quero sua condescendência, prefiro que você me ouça. Afinal isto é um desabafo, não uma confissão. Sei que não dei explicação alguma, sobre o porque eu não ser paciente e sim indiferente, talvez não haja explicação [mania que temos de querer saber a razão de tudo...por que? como?] Não quero mais falar disso, agora quero o silêncio, o seu e o meu.

....

Quando volto para casa começei a pensar na minha reação, ela tinha sido fria e impessoal, mas ela não se restringia somente aquele episódio, havia inúmeros outros no meu dia-a-dia, no entanto eu queria mudar e percebir que poderia. Apesar de eu não saber as causas da indiferença, já sabia o suficiente para percebê-la em mim, restava-me então iniciar o tratamento e para isso era só começar a mudar as minhas ações no meu cotidiano. No começo era difícil aceitar que pequenas mudanças seriam suficientes para transformar-me, eu não era muito crêdulo nesse tipo de homeopatia. Mas enfim, após alguns meses de tratamento já estava melhorando, a paciência já retornava a sua velha casa. Agora resta-me saber o que fazer com ela.

P.S:
És ali parte de mim, um segredo meu. Não entendeu nada do que falei. Sorry!!! Não explicarei de novo. Mas eu ainda tenho folego para dizer que não falarei nada para ser entendido. Não estou nem ai para a sua aceitação. Aqui, sou mais eu e minha loucura. Falei muito? Sorry!!! Isso foi uma armadilha para a sua paciência ou para a sua indiferença. Não sabe a resposta? Não sabe o que sente? Então direi: _"Pobre de ti". Nem conhecer-ti, você é capaz.
Ou então você é um paradoxo : você não se conhece, mas no entanto é capaz de rotular os outros? Não precisa me responder, isso é para você.

Se serve de consolo, eu também sou assim, sou mais rápido em julgar os outros, do que a mim mesmo. Talvez seja mal da raça: encontrar, rapidamente e sempre, nos outros os defeitos que você têm. Me desculpe se anteriormente eu confrontei voce de forma severa. Normalmente eu sou calmo, mas como sou bipolar... [o que posso fazer?]... meu humor pode ter varições muito rapidas e violentas, bem como o meu raciocínio pode se torna incoerente e confuso. Mas esse é um outro segredo, depois desabafarei ele...
Resta agora fazer o velório e o enterro do primeiro segredo.






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