sexta-feira, 25 de maio de 2007

A sabedoria do fênix

Ela não é sublime, alegre e celeste, assemelhace apenas a uma erva. Para encontrá-la não é preciso esforço, basta andar em lugares sombrios, ai é seu lugar, pois não sobrevive em lugares iluminados, suas folhas negras impedem isso, já que são facilmente queimadas pelo sol. Seu aspecto é simples e feio, possui pequenas flores de aroma repulsivo e é cheia de espinhos, servindo por isso apenas para chá, mas poucos são os que se aventuram em tomá-lo, uma vez que, seu principio ativo é a solidão, e para muitos isto equivale a beber veneno. [Passagem retirada das escrituras da Ordem dos Fênix]

O fênix não teve escolhe, como pássaro solitário, teve que beber o chá, e igualmente aos outros, achou que bebia veneno. Diariamente fazia isso, pois era seu alimento, além das áspides e dos escorpiões. Admirado ficava por não morrer, apesar de durante muito tempo sofrer com enormes dores na alma. Isso ocorria, porque desconhecia, devido a sua juventude e imaturidade, que por trás destes alimentos perçonhentos se escondia uma porta para a sabedoria. Mas até esse conhecimento chegar ele sofreu com a dúvida [será que conseguirei o saber necessário para transformar a dor em vida?] e com o medo [se eu deixar de comer, com certeza morrerei.]. Ele ainda não tinha consciência plena, mas acreditava que tudo pelo qual passava o levaria a um aprendizado maior, a mais excelente sabedoria da ordem dos fênix.

O tempo foi passando e as dores permaneram ainda mais fortes, e ele sabia que se não mudasse morreria por envenenamento. Por isso perguntava-se constantemente: "_Em que consiste essa mudança?". A única resposta encontrada era, que teria que descobrir isso sozinho, pois aqueles que já tinham tal aprendizado não repavassam a ninguém. E mais e mais ele via necessecidade de ter a resposta, não apenas por ela ser a chave para conseguir o antídoto contra o enveno, mas principalmente porque o conduziria na capacidade de renascer das cinzas.
Atirar-se ao fogo e resurgir dele, era o ritual de pasagem de todo fênix. Afinal era o meio perfeito de revelar os mais fortes e aptos, já que os fênix não eram imortais como dizia o mito, eles poderiam morrer, se assim desejassem do fundo do coração ou se não conseguissem a arte de renascer.

Isso atormentava a mente do aprendiz. Seria ele sucumbido pela falta de conhecimento? E quando afligido por esses pensamentos, mais dores vinham até ele. Pobre pequeno, estava fraco, por que não se alimentava mais e por seu corpo frágil agonizar pelo veneno que circulava no sangue, e sua mente cheia de conflitos, o oprimia ainda mais. Sentia a morte chegar. Mas diferentemente do que esperava não a temeu. Disse consigo: "_Viverei".
Sentiu pela primeira vez, as dores diminuirem e que seu corpo se fortaleceu. Não pelas palavras, mais por um posicionamento diferente. Não olhou para fora de si, antes buscou dentro dele a força que precisava para viver. Ao fazer isso seus olhos se abriram e viu que a solidão era boa, pois ela proporcionva a reflexão necessária para dar rumo a sua vida, para saber exatamente o porque de renascer.

E ele viu que renascer antes de tudo é está disposto a mudar, a abrir mão de sua antiga natureza e aceitar o novo, mas não passivamente. A mudança deve envolver exatamente os pontos falhos e para descobri-los é necessário olhar para si e está em silêncio, por isso nada melhor que ter como companhia a solidão, pois ela força a introspecção e a descoberta de que a transformação é possível. Para a ordem dos Fênix o renascimento é um ritual de passagem, porque diferentemente de qualquer outra criatura eles materializam todo o processo, afinal atirar-se ao fogo só faz sentido se realmente você tem certeza que sairá de lá vivo e do que você quer, conscientemente, deixar ser consumido pelas chamas, pois caso não tenha isso claro dentro de você, com certeza restará apenas suas cinzas.

O fênix enaltece a solidão que produz reflexão, por isso nem pense que andar com a ela é o mesmo que ser isolado e não ter relacionamentos, vivendo no mundo de fantasias. Falo de um estado de espírito, onde coisas externas não oprimem a mente e o coração. Infelizmente, até entendermos isso, vemos a solidão como veneno, e por isso sofremos com sua presença, somente quando percebemos seus efeitos medicinais é que desfrutamos da sua sabederia.


[Não teve escolha, ele nasceu como fênix, o pássaro solitário]

sábado, 12 de maio de 2007

Reino

O meu reino da alegria foi desfeito, não existe mais tal como foi um dia. Ele era mágico, me transportava para um outro lugar, onde a diversão, a conversa solta e o riso são os companheiros. Mas tudo isso se transformaria, por causa da mais ingênua verdade, um ato mal pensado, com força suficiente para fazer acontecer o ditado "quando a cabeça não pensa, o corpo padece", mas quem padeceu foi o meu coração, que acabou ficando mais solitário. Eramos um quinteto, depois restou os cacos.
Já que toquei no assunto, melhor falar de onde começou. Estavamos os três, ou melhor, dois me esparavam, para tratarmos de um assunto que eu já sabia. Após a conversa rápida, ficou acertado falarmos a verdade. No entanto, tinhamos esquecido de um detalhe, que de tão claro, encandeou nossos olhos e não vimos o que estava diante de nós. Era desnecessário falarmos qualquer coisa, pois tudo já tinha se revelado a tempos atrás, a verdade, ela mesma já havia se apresentado diante de todos os olhos, e eles viram, todos, quem queria e não queria, viram. Portanto, não precisavamos fazer nada, tudo já estava posto: o cego é aquele que não quer ver, pronto. Só não sabiamos que quanto mais simples é a verdade, mais difícil é aceitá-la. No final, os cegos eramos somente, nós três, e desconhecer isto nos custou algo precioso, a união.
Perdoi-me, não entrarei em detalhes sob o que realmente aconteceu, só falarei que me arrependi do que fiz, pois fui cego, agi por puro egoísmo e controle. Não vi os outros, somente o meu próprio interesse. Bem, encerro por aqui. Até que gostraia de falar mais... não consigo. Mas deixo como últimas palavras que agora, um ano depois do ocorrido, os cacos estão sendo colados...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

E agora?

Estou em uma mesa de operações, porque foi diagnosticado em mim uma doença, que só terá fim quando for removia por completa. O pior é que nesta cirurgia, apesar de ser de grande risco, não haverá médicos e nem serei anestesiado. Tudo será eu mesmo que farei. Serei eu que me abrirei e removerei o mal do coração. Sim, do precioso órgão da vida subjetiva, removerei um cancer. Antes que pense precipitadamente, que o mal de que falo, é amor não correspondido, direi logo que não se trata disso. É um outro, que tanto eu, como muitos outros possuem, é a religião.
E por habitar justamente no coração, local das emoções, da fantasia, dos sentimentos, não a reconhecia como minha própria essência, criada e manifestada por mim mesmo, mas agora conheço a sua forma, denunciada por Feuerbach. E foi ele que me mostrou, que eu estava doente de religiosidade. Agora resta-me a cirurgia. Já tenho todos os instrumentos e um espelho a minha frente para que eu possa ver o que estou fazendo.

Peguei o bisturi, minhas mãos trementes, por falta de coragem, param diante do meu peito...

Como fazer isso? Como arrancar o meu coração? Diga-me Feuerbach?

Fazer isso é o mesmo que viver sem coração. Não pense que exagerei, porque é assim que me sinto. Aquilo que você vê como mal, eu vejo como sendo parte da minha vida subjetiva. Minha vida, entendeu? Não posso simplesmente tirá-la de mim.

Desculpe essa reação impetuosa, pois sei que o Sr. nunca pretendeu aniquilar a minha vida religiosa, apenas deu a ela a verdadeira dimensão, e que foi eu mesmo que decidir vir até aqui, nos domínios da razão pura, onde é ela o espírito das luzes.

Um tempo depois, tomo um copo d'água, saio da mesa de cirurgias e mais calmo reconheço que foi eu que coloquei à prova a fé diante da razão. Porque acredito que a fé resiste a todas as provas, no entanto, olho para a minha mão e vejo que não soltei o bisturi. Será que tenho começado a duvidar?

terça-feira, 8 de maio de 2007

Vida passada

Triste saber que a vida foi roubada, restando apenas a mesmice do cotidiano: as palavras frias, o olhar distante, o sabor preto e branco, a conversa insossa, o piloto automático. E assim são os dias. Acordo e deito, sem perceber o tempo. Fim do expediente, pego o ônibus retornando para casa. Chego. Tiro os sapatos, jogo as meias na cama. Tiro a roupa, tomo banho. Janto, escovo os dentes. Varro a casa, lavo louça. Assisto tv, durmo. O despertador toca. São 05:00 da manhã. Abro os olhos. Olho para janela, vejo a chuva. Sonolento levanto. Na mente o pensamento: faltam quinze minutos pro ônibus passar. Banho, café da manhã, pronto. Fecho a casa. Correndo pego a condução. Chego no trabalho. E na mente o pensamento: Amanhã, amanhã... não será outro dia. Infelizmente, o dia seguinte foi. Meu cachorro morreu. Não chorei. Cerquei a casa.

Mas minha prisão não têm muros. Bem... só tenho a dizer que são tempos de rotina.

Desculpe falar pouco de mim.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Conversas

_E a fé, vc abandonou de vez? _Não, nunca farei isso. Pelo menos é o que espero.

_Jurava q vc já era ateu? _Que isso! Apenas deixei de conviver com ela e, por causa disto, sei que corro o risco de perdê-la para sempre.

_E vc tá disposto a correr este risco? _Sim, estou. Mas se realmente eu perdê-la, me sentirei incompleto.

_E agora vc tem andado com quem? _Rapaz, ultimamente tenho andando apenas com a razão. Garota fantástica ela. Descobri nela coisas interessantes ao meu respeito, acredita.

_Só tem um problema ela não se dá bem com fé. Fiquei sabendo de um encontro entre elas duas. Pense uma confusão. Já viu briga de mulher? Foi igualzinho. Cabelo sendo puxado de um lado, unhada do outro, uma resenha da porra.

_Huahauhaua, já vi sim. É engraçado ver.

_E vc acha q volta pra fé? _Sei lá..., na realidade nem tenho pensado nisso. Só sei q preciso de um tempo...

_Tempo? Sei não viu, qd eu penso q vc superou tudo isso. E q vc realmente vai parti pra outra. Lá vem vc falando de "tempo", de preciso "pensar mais". Pq eu lhe conheço, qd vc fica assim pensativo demais, é pensando num jeito de tê-la de volta e esperando q o tempo apague as mazelas. Sei não viu, parta pra outra... seu bosta!

Termino meu copo de cerveja em silêncio...