Ela não é sublime, alegre e celeste, assemelhace apenas a uma erva. Para encontrá-la não é preciso esforço, basta andar em lugares sombrios, ai é seu lugar, pois não sobrevive em lugares iluminados, suas folhas negras impedem isso, já que são facilmente queimadas pelo sol. Seu aspecto é simples e feio, possui pequenas flores de aroma repulsivo e é cheia de espinhos, servindo por isso apenas para chá, mas poucos são os que se aventuram em tomá-lo, uma vez que, seu principio ativo é a solidão, e para muitos isto equivale a beber veneno. [Passagem retirada das escrituras da Ordem dos Fênix]
O fênix não teve escolhe, como pássaro solitário, teve que beber o chá, e igualmente aos outros, achou que bebia veneno. Diariamente fazia isso, pois era seu alimento, além das áspides e dos escorpiões. Admirado ficava por não morrer, apesar de durante muito tempo sofrer com enormes dores na alma. Isso ocorria, porque desconhecia, devido a sua juventude e imaturidade, que por trás destes alimentos perçonhentos se escondia uma porta para a sabedoria. Mas até esse conhecimento chegar ele sofreu com a dúvida [será que conseguirei o saber necessário para transformar a dor em vida?] e com o medo [se eu deixar de comer, com certeza morrerei.]. Ele ainda não tinha consciência plena, mas acreditava que tudo pelo qual passava o levaria a um aprendizado maior, a mais excelente sabedoria da ordem dos fênix.
O tempo foi passando e as dores permaneram ainda mais fortes, e ele sabia que se não mudasse morreria por envenenamento. Por isso perguntava-se constantemente: "_Em que consiste essa mudança?". A única resposta encontrada era, que teria que descobrir isso sozinho, pois aqueles que já tinham tal aprendizado não repavassam a ninguém. E mais e mais ele via necessecidade de ter a resposta, não apenas por ela ser a chave para conseguir o antídoto contra o enveno, mas principalmente porque o conduziria na capacidade de renascer das cinzas.
Atirar-se ao fogo e resurgir dele, era o ritual de pasagem de todo fênix. Afinal era o meio perfeito de revelar os mais fortes e aptos, já que os fênix não eram imortais como dizia o mito, eles poderiam morrer, se assim desejassem do fundo do coração ou se não conseguissem a arte de renascer.
Isso atormentava a mente do aprendiz. Seria ele sucumbido pela falta de conhecimento? E quando afligido por esses pensamentos, mais dores vinham até ele. Pobre pequeno, estava fraco, por que não se alimentava mais e por seu corpo frágil agonizar pelo veneno que circulava no sangue, e sua mente cheia de conflitos, o oprimia ainda mais. Sentia a morte chegar. Mas diferentemente do que esperava não a temeu. Disse consigo: "_Viverei".
Sentiu pela primeira vez, as dores diminuirem e que seu corpo se fortaleceu. Não pelas palavras, mais por um posicionamento diferente. Não olhou para fora de si, antes buscou dentro dele a força que precisava para viver. Ao fazer isso seus olhos se abriram e viu que a solidão era boa, pois ela proporcionva a reflexão necessária para dar rumo a sua vida, para saber exatamente o porque de renascer.
E ele viu que renascer antes de tudo é está disposto a mudar, a abrir mão de sua antiga natureza e aceitar o novo, mas não passivamente. A mudança deve envolver exatamente os pontos falhos e para descobri-los é necessário olhar para si e está em silêncio, por isso nada melhor que ter como companhia a solidão, pois ela força a introspecção e a descoberta de que a transformação é possível. Para a ordem dos Fênix o renascimento é um ritual de passagem, porque diferentemente de qualquer outra criatura eles materializam todo o processo, afinal atirar-se ao fogo só faz sentido se realmente você tem certeza que sairá de lá vivo e do que você quer, conscientemente, deixar ser consumido pelas chamas, pois caso não tenha isso claro dentro de você, com certeza restará apenas suas cinzas.
O fênix enaltece a solidão que produz reflexão, por isso nem pense que andar com a ela é o mesmo que ser isolado e não ter relacionamentos, vivendo no mundo de fantasias. Falo de um estado de espírito, onde coisas externas não oprimem a mente e o coração. Infelizmente, até entendermos isso, vemos a solidão como veneno, e por isso sofremos com sua presença, somente quando percebemos seus efeitos medicinais é que desfrutamos da sua sabederia.
[Não teve escolha, ele nasceu como fênix, o pássaro solitário]
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