sábado, 9 de junho de 2007

O vôo do fênix

Suas asas estão preparadas para voar, fortalecidas pelo tempo e por todo o processo de transformação pelo qual passou, no entanto, será seu primeiro vôo. Sua expectativa é grande, afinal ver do alto é privilégio de poucos. Sem saber explicar, uma paz o envolve, enquanto vislumbra a sua nova experiência e percebendo que já fazia algum tempo que não estava tão bem consigo mesmo, quis aproveitar cada instante que antecedia o lançar-se aos céus.

Ao sair da caverna, viu o azul celeste belissímo, que se tornava aos poucos alanranjado no horizonte, as poucas nuvens e o Sol, brilhando lindamente. Tudo o encantou novamente. E de repente toda esse visão fez seu mundo interior mudar, ele deixou de ver em preto e branco, passando a enxergar o colorido da vida lá fora. Sua reação foi gritar: "_Toda vida é digna de ser vivida, seja na caverna ou fora dela! Toda vida é digna de ser vivida a seu tempo!" Mas enfim o momento chegou e em frente ao enorme precipício, ele vê que apesar da excitação do momento, começou a temer: "_Será que realmente estou preparado para voar? Esse desfiladeiro é muito alto, certamente se eu não conseguir voar,morrerei com a queda." Um calafrio percorreu as suas costas, o medo se apoderava do pássaro de fogo.

E quando já resolvia voltar para a caverna, lembrou-se do seu passado, das ervas amargas que eram seu alimento, de atirar-se as chamas, de viver como verme na caverna. Tudo passou na sua memória como um raio cortando a tempestade. Viu então que não tinha o que temer, sua vida tinha sido vivida por completo, e se acaso precipitasse como uma pedra rumo ao fundo do abismo, ainda assim saberia que tinha vivido. Ele se atira e cai, na queda lembra-se do que tinha visto, o horizonte alaranjado e o Sol brilhando, somente depois ele abre as asas para alçar vôo, somente quando ver que a vida sempre tem motivos para ser vivida.

E ele voou, até o horizonte, até onde a vista alcança.

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