quarta-feira, 11 de julho de 2007

Crônicas de um eu perdido

A tempos realizo leituras sobre um tema curioso, a respeito de métodos de investigação do inconsciente. Um deles me chama a atenção, pois percebi que eu mesmo poderia aplicá-lo em mim. Não me julgue louco por isso, por farvor, sou apenas um curioso e, além disso, uma pessoa introspectiva, e como o passa-tempo de gente assim é refletir sobre si mesmo várias vezes ao dia, de forma compulsiva, decidi unir a minha natureza reflexitiva, com a curiosidade de saber mais sobre o que há em meu inconsciente. Fui então aplicar o tal método, ele é simples e consiste em deixar a mente livre para os pensamentos fluirem livremente, sem nenhum impedimento preconceituso, vergonhoso, doloroso ou de qualquer outra ordem. E eles ao surgirem devem ser anotados, sem preocupação de ter sentido lógico entre um pensamento e outro, sendo obrigatório apenas o registro de cada um. Bem o resultado foi esse:

_Coração insano o meu, não é capaz de aprender com os erros.
_Gostaria de ter a sabedoria das palavras.
_De ser capaz de dizer o que realmente deve ser dito.
_Mas não posso.
_Sortudo o falador que lança a sua loucura a todos.
_Não sou assim.
_Ando com o silêncio.
_Afinal quem realmente sou?
_Sou capaz de ferir a quem quero bem.

Na realidade recorri a está investigação porque ultimamente me sinto perdido, e pensei que de repente mergulhando no profundo do meu inconsciente eu encontaria respostas, assim como as encontro quando analiso as outras pessoas através destes mesmos exames, e sem falsa modesta, de maneira muito bem sucedida. Achei que aconteceria o mesmo comigo, que eu seria capaz de encontrar um caminho de orientação. Nada disso aconteceu. Desde então, passo os dias me perguntando como isso foi ocorrer comigo, como eu posso estar sem identidade, sem me reconhecer? Já que sempre fui hábil em diagnósticar os problemas na psique humana e com a mesma habilidade e presteza fui capaz de trazer equilibrio ao entendimento de muitos, através do exercício da minha profissão como psicologo, e agora me vejo incapaz de solucionar meus próprios dilemas.

Ao ver o exame reconheço que fiquei surpreso com o resultado, não esperava estar num estado "sei lá o q" tão profundo [chamo assim porque não descobri o que tenho]. Na realidade, parte de mim deseja que eu faça outros exames, já a outra, simplesmente aceita aquele realizado e eu também começo a aceitá-lo, porque como posso negá-lo se tudo que está lá saiu de mim mesmo. Não foi alguém que me sugestionou, foi eu que simplesmente vomitei em mim. E agora como limpar meu vômito?

Não acredito... já estou tomado novamemte por esses pensamentos, devo... isso mesmo policiar minha mente, porque senão não encontrarei a resposta que busco. Desculpe-me pelos meus devaneios, por estar tudo tão incoerente, mas a medida do possível trarei sentido, pelo menos este é meu esforço, a não ser que a verdade seja insuportável para mim mesmo.

Sinto apenas como se tivessem várias pessoas em minha mente, e todas elas falassem ao mesmo tempo, por isso me sinto confuso sem saber quem sou, a qual voz seguir. Algumas vezes sou apenas contradição, digo algo e momentos depois, nego o que que disse. Outras tantas, sou a alegria e a euforia, mas no momento sou o silêncio. Vivo oscilando entre uma voz e outra, agindo ou reagindo àquela que fala mais alto no momento.

Nestes dias estive pensando que estou procurando no lugar errado, assim ao invés de me deter na mente talvez seja melhor eu procurar no meu coração, pelo menos nele há apenas uma voz e... talvez essa seja a voz do meu eu.

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