quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Vida de morcego - fragmentos de um desabafo

Se o fênix é a ave do fogo, do sobrenatural, do renascimento. Se ele habita o dia, se voa até as altas montanhas. Enfim se ele é a representação das coisas do coração. Eu, o morcego, sou o seu contrário.

Primeiro, meu mundo é completamente diferente...

Aqui onde moro só vejo o que os meus olhos dizem ver. Vejo rochas, vermes e outros iguais a mim.

É bem verdade que dentro de mim também há um coração, mas no meu caso ele é apenas de carne e sangue, nada mais que isso.

O dia não me agrada, a sua claridade é muito forte para meus olhos, por isso sou da noite e é nela que voô em busca de alimento.

Para aqueles que ainda não entenderam, explico: minha vida é governada pela razão. Para muitos isso é motivo de assombro, para mim é completamente natural.

Meu cérebro funciona assim, e não adianta me forçarem a acreditar que viver como o fênix é possível. Para dizer a verdade, apesar de muito se ouvir falar dele, eu nunca o vi na caverna. Tenho para mim que ele é apenas um mito, uma estória de um cérebro muito delirante. Ainda bem que a minha mente não se deixa levar por qualquer coisa e exerce perfeitamente bem as suas funções cognitivas.

Sempre estou questionando, perguntando, querendo saber mais e mais. Tenho uma curiosidade visceral. Talvez seja esse meu jeito que tenha me salvado, me resgatado do pior mal que pode acontecer a qualquer ser, cair nas mãos da ignorância. Sim, esse é o pior mal. Imagine você estando a caminho da morte e não saber, simplesmente por falta de conhecimento. Mal, grande mal é este.

Quando eu voô a noite, além de buscar alimento, eu procuro observar a natureza, pois para mim os mistérios da vida estão nela e conhecendo mais da natureza, saberei mais da vida, e mais de mim, afinal eu também faço parte da natureza.

É bem verdade que procurar respostas durante a noite reserva muitos perigos. Eu mesmo já escapei de ser abatido por outros animais, mas isso não me intimida. Maior é minha vontade de saber. E ainda que nessa busca por conhecimento eu acabe sendo mastigado vivo, parando no estômago de algum carnívoro, ainda assim, por simplesmte saber que vivi, já me sinto muito satisfeito.

E uma última coisa a dizer, parte de mim tem inveja do fênix, mas não pense que é por sua imortalidade, não isso não me interessa. Invejo a sua solidão. É que aprender com a solidão é uma tarefa muito ardua para qualquer um.

Como gostaria de ser companheiro da solidão. Sei que ela tem muito a me ensinar...

Meus caminhos, vossos caminhos

Há muitos caminhos a seguir. Para evitar tantas confusões e para simplificar um pouco, decidi seguir apenas um, o meu. Não se ofenda por isso. Por eu ter escolhido algo diferente de você. Escolhi viver assim, por que veja bem as pessoas estão sempre dando pitaco na vida do outro. É sempre um faça isso; não isso não; sim, você pode ver isso; credo vc curti isso; que mal gosto o seu! Decidi superar as opiniões de terceiros e ter meu próprio estilo de vida. É bem verdade que não tem sido fácil para mim, pois nem sempre eu sigo o que penso; as vezes eu sou mais parecido com os outros do que comigo mesmo. Afinal me diga se você num tem ninguém que ache interessante, seja no jeito louco de ser, pelo espírito brilhante, por ter um gosto mais apurado que o seu ou porque tem mais experiência de vida, sei lá... algo que você diga queria ser como essa pessoa. Eu tenho, não apenas uma. Tenho várias! E isso acaba deixando vulnerável o meu coração e mente à vontades alheias que transpassam o meu ser e o meu modo de viver. Acho, por isso, que o meu caminho não é exato e nem fechado. Acabo sendo uma mistura. Rala ou tenra. Insoça ou temperada. Nutritiva ou não. Nesse ponto, eu acredito que depende da minha vontade. Sim, mesmo as misturas acontecendo, sou eu que no final faço a diferença na minha vida. Os outros podem se agradar ou desprezarem a mim, já que o sabor do caldo da minha vida quem dá sou eu. Agora se sou de mocotó ou de arroz, aí já são outros quinhentos... Evidentemente, espero dá aquela "sustança", mas se não for o caso, espere! Próximo de minha casa tem um mercadinho que vende um excelente mocotó.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Portas

Nem todas as portas foram feitas para serem abertas
Algumas existem, simplesmente, para mostrarem até onde se extende a nossa liberdade

Nem todas as portas foram feitas para serem abertas
Já que algumas levam a verdades que não podemos suportar, restando apenas a confusão no espírito, na alma e na razão (causada pela incompreensão)

Mas por ser curioso, olho o que tem atrás das portas
Mas por ser teimoso, faço o que vier na cabeça
E por ser irresponsável hajo sem pensar nas consequências