Deixei entrar na minha vida, você; e agora eu já não sei o que fazer para esquecer os momentos que imaginei junto a ti, porque dia-a-dia, a cidade, o trabalho, o meu cotidiano se impregnaram com sua imagem, e como esquecer, se meus olhos vêem e ao ver lembro, justamente, de você.
Mas se meus sentidos me traem, por trazerem coisas que construi dentro do meu coração e que me fazem ficar preso a ti, a minha razão não. Ela busca me libertar, lembrando insistemente que eu preciso exorcisar os meus devaneios de um amor solitário.
Por isso escrevo, compulsivamente, palavras que tirem de mim sua impressão em meu coração. Faço dos meus textos um exorcismo de parte de mim; parte que já não pode mais andar comigo, por ter se tornado pesado demais, angusteante demais, demaseado demais para eu suportar tanta ausência, tanto aguardo.
E aos poucos tenho conseguido...
E aos pouco prossigo...
E consigo...
Fazer de mim um exorcista das lembranças que nunca foram suas.
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