Profundidade psicológica, visão poética, beleza artística, acuidade nas palavras, vida expressa com intensidade, observação racional, sensibilidade de um espírito iluminado, toque na alma, revelador dos anseios humanos, incansável observador, decifrador dos enigmas do homem; sim como gostaria de ter esse dom ao escrever, de ter nas palavras o poder de ir além delas e penetrar no interior do outro, retirando dele sensações que ele desconhecia, ou mesmo o medo, a dor, a alegria, ou simplesmente a curiosidade de continuar a leitura, para saber o final ainda que esperado. Gostaria de ser o escritor desta vida e não de outras inventadas, que se enquadram apenas na fantasia de alguém distante da realidade. A vida eu a retraria não bela e nem feia, gostaria de mostrá-la como a vejo, uma mistura de cores que vai do negro, do cinza, ao vermelho, amarelo, azul, verde e branco. Mas não minto a ninguém e nem quero esconder que falta capacidade, sensibilidade e até bagagem, muita mesmo, para tanta proeza. Ainda sigo de longe, muito longe os caminhos de Dostoievski...