segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pode Ser

Poemas, prosas, canções são o desabafo, o âmparo, o descanso
Para quem está longe, para quem está perto, para os amigos, para os amantes
As palavras são o instante, o exato momento do sentimento, podem dizer tudo, podem dizer nada
Tudo depende de quem as ouve, de quem as escreve
Seja no calor das emoções, seja no frio da razão
Tendo a mais pura das intenções, tendo toda a malícia do mundo,
Elas apenas podem atingir, podem sensibilizar, podem emocionar
Mesmo a mais profunda e rica, circunstanciada precisamente
Está presa a indeterminações, amarrada a imprecisão, ligada ao incerto
Restando o risco, o salto no escuro
Faz o movido pela possibilidade, o fascinado pelo órgão pulsante
Arrisca-se, no que pode ser o vôo

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Balança

A balança foi posta, medidos os pormenores, sorriu por saber que poderia ir. Ainda há as indeterminações recorrentes, já que a força do coração apenas despertou e as incompletudes já se apresentaram, trazendo os questionamentos a respeito do futuro. Dias se passam, as interrogações surgem, mas elas não andam só, acompanharam-se de um difícil sentimento de ser levado, são afirmativas que falam do fim. Anda na realidade indagando-se, acontecerá o romper no seu interior? Seu próposito firme é de ir até o fim, não desistirá de lutar. Sempre foi assim e não mudou. A esperança no seu coração.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ponto "X"

Um lugar ainda vázio e, por estranho que pareça, ele existe por teimosia, nem sempre minha. Pessoas vão e vem, as "bacanas" simplesmente não combinam, as interessantes demonstram desinteressadas cedo demais. Quando o outro lado se entusiasma, eu sinto que não me encaixo e assim sigo, saindo e entrando, indo e vindo, de um lado ao outro, acertando e errando, as vezes, nem tão firme, baqueando; em alguns momentos, nostalgia chega a ser sobrenome, outras vezes, vou livremente como pássaro solto no ar, desinibido, sendo o amante de amores passageiros. Na verdade, eu só quero me perder novamente e continuar assim, até o tempo do fim acertado, do qual não reste arrependimentos, tristeza sim por que é natural sentir o coração apertado na hora da despedida. E por querer a incerteza eu caminho em veredas que não estão prontas e onde tudo oscila, seja a luz, o chão, o ar, a visão, nelas tanto pode fazer Sol ou uma chuva tempestuosa, sem nem sabermos de onde vieram, simplesmente, a imprecisão é uma constante, por que cedo ou tarde ela se apresentará, exatemente isso, lá as estações mudam repentinamente, e isso pega desprevenido ao que se lança com coragem de ir até o fim. Encontrar o equilibrio, se existe nesse caso, é o "x" da questão. Na realidade, não há ponto de equilibrio, os que buscarem por ele não conseguiram o que almejam, é um outro que deve existir, o de mutação. Ter a habilidade de desenvolver a mudança, de trazer aguá no deserto, de ser Primavera em Eras Glaciais, de podar espinhos, de desprender-se de paradigmas. Transformação é a palavra!
As minhas palavras falam de mim, mas eu consigo conjugá-las em verbos expressos pela boca? Fazer-me ser ouvido é o meu ponto "x". Esta na palavra o germen da mutação, quero expremí-lo para que o vázio já não seja.
*P.S: Hoje, por escrever para mim, exclusivamente, deixei a coerência.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Perdão...

A fragilidade da vida se revelou. Não sabia que aconteceria tão repentinamente e com tanta força. Temia que acontecesse. Via tardiamente seus próprios erros, a sua medida, fez as correções, era insatisfeito consigo, porque sentia que ainda falhava, a sua imperfeição era gritante a seus olhos, sempre tinha o seu próprio dedo apontado para si. Transparecia sensibilidade, leveza, docilidade. Na realidade, era seu exercício diário incorporar essas qualidades ao seu caráter. Então, chegou o fogo para provar-lhe de que é feito. O dia mal veio e com ele, o sensível mostrou sua cegueira, o leve se tornou insuportavelmente pesado. Caiu no seu próprio engano de achar que traria luz. A escuridão se apresentou e nela foi arremessado. Sentiu-se imobilizado e atado pela sua precipitação. Não sabe como se desvencilhar, porque justo o que é desgovernado, o coração, é que o governa. Sua razão é incrivelmente desajuizada. Não é hábil em seguir caminhos lógicos. É atraído pelo risco dos caminhos do coração. Como premonição, vinha a sua mente, espere o melhor momento, reflita mais, pense, espere. Mas de súbito tudo mudou. O coração dizia aja logo. E foi, seguiu o mais forte nele. Gostar é sofrer. Amar o que será? Recolhe-se no silêncio. Ouve dentro de si, aguarde. Depois do leite derramado, o que se espera é o reconhecimento de quem derramou. Eu derramei. Eu derramei. Sou o menino que erra. Sou o homem que aceita as conseqüências do que plantou. Perguntasse, afinal quem sou? Quais são as minhas sementes? Olha a terra ferida e machucada. Diz para si, esperarei o tempo de cultivar chegar novamente. Recorda-se da infância, do colégio, do reencontro, do DNA, da menina e do menino juntos. Sente as indeterminações do futuro. Tudo em um dia, tudo em poucas horas. Busca a coragem de olhar nos olhos e pedir perdão. Cabisbaixo rubro.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Lua Dourada

Lua testemunha, de uma ponta negra, onde dois puderam ser um. Histórias construídas do acaso da vida. Encantos que nascem simplesmente pela vontade. Palavras, olhares, toques, pele, tudo se conjulgou, tudo foi, até o fim. A lua foi a cúmplice, a coadjuvante, dos atores que decidiram ir. E foram, não temiam, se entregaram. A lua foi o álibe dos encontros, dos beijos, dos toques, de tudo, da vida. A lua doce e ancantadora não tinha do que se envergonhar, ela contemplava os livres, os desavergonhadamente imprevisíveis, aqueles que decidiram ir. E o destino que uniu, também os separou, justo em um dia de uma lua dourada, vestida para os amantes, mal sabia ela que já não os veria mais. No dia sublime, onde a lua tocava o mar, e o mar aceitava o seu toque. Eles não se tocavam, não se olhavam, preferiram olhar a lua. Entristecida, ela não resistiu, se escondeu. Fugiu do mar e foi para trás de uma nuvem escura. Não queria ser vista assim, no dia em que ela saiu para a alegria. A lua se entristeceu por saber que tudo é uma passagem, na vida dos homens tudo passa, seja o amor, seja a dor, passam. Foram os três com a vida. A lua, eu e você.

E simplesmente por não querer deixar passar, fica aqui, para sempre aqui, a estranha saudade daquele que se despediu.

Foi num dia desse...

Dias que se repetem, angústias que retomam o lugar. Como moradores reinvindincando a posse da terra. Pertencemos a este lugar, somos desta terra. O coração é nosso lugar, não podem nos tirar daqui. Não podem nos tirar daqui. Estranho é saber que não era para ser assim, ou melhor, havia indícios de que não seria, mas os sonhos foram desfeitos, e hoje é mais um dia de coração apertado. Minha sensação é de terem quebrado meu espírito, entreguei este poder, dei. Sei que não fez por mal, nem por pretensão de vangloriar-se pelo apego de outrem, sei que fez por não saber que tinha tal poder.
Queria o descanso, a paz de volta, mas estes dias são apenas de angustias. A irracionalidade volta gritando, querendo encontrar repouso na alma, e aproveita a fragilidade para sussurrar nos meus ouvidos, veja se consegue sondar algo nas palavras, elas podem dizer novidades. Veneno para a alma é se curvar diante das nossas fraquezas. Infelizmente hoje, não sou forte e fui, vi a prosa, li e reli, perguntas vem a mente, a vontade de entender cada palavra, cada significado, num descontrole de me achar nelas. Onde será que eu estou? qual será o meu paragrafo? Não me vi em nenhum, a não ser no "menino que gostava", seria eu mesmo, estaria ali no passado, difícil acreditar ou aceitar quando na realidade eu queria ser o presente e o futuro.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Momentos de sabedoria

A vida, a grande mestra da sabedoria, sempre sabe o que faz. Seus caminhos são acertados, mesmo que momentaneamente incompreendidos, mas ao que se abre aos seus ensinamentos adquire sabedoria. O menino vê isso. Com certa, dificuldade abriu os olhos e não pode fecha-los agora. Vê que inventou, deu vida, cor e cheiro ao que era cinza. Criar é sua maestria. Tem o dom de dar cor. Seus olhos meigos se detem no que é belo. Agora tem a tarefa de desconstruir. Sabe que isso é reconhecer que errou. Essa é sua dor, que vem pela aceitação, de que "na vida tudo é frágil, tudo passa". Tira dos instantes ensinamentos. Faz disso seu ofício. O aprendiz da vida, precisa se reinventar. Deixar que a cor cinza seja vista como cinza. Dentro ele diz, não sou assim, mesmo no cinza há magenta, ciano e amarelo, vê assim. Acha melhor se deter no belo. Não é mais tão utópico como antes. Suas asas recolheu e posou os pés no chão. Tem outras histórias para escrever, faz disso um aprendizado. Tem para si que cada fim, um começo, e de cada início, acredita e torce, até ter dado cabo. Guarda que tudo se resolve para o bem. O menino que tem muito a aprender, aprende dia-a-dia. Sua filosofia é a simplicidade da vida. Seus contos são desabafos. É regido pelo coração. Acredita na sabedoria que emana do seu espírito. Pede todos os dia por sabedoria e ela se apresentou. Novos tempos de transformação. Já conhece esse caminho. Reinvento é seu nome.

Versos de um dia mal

Ele já não se reconhece mais
Colocou uma máscara de alegria
Para encantar
Mas sabe que seu melhor
Talvez não baste
Sabe que corre o risco
O risco de se quebrar
E junto o seu coração

Perguntam se a máscara era falsidade
Não era, sabe que não era
Era vontade de encantar
Era desprendimento de si
Era desejo de acertar

Já não se reconhece mais
Aquilo que era natural, deixou de ser
Perdeu o frescor de originalidade
Não sabe como agir
Não sabe como encantar
Ou melhor, já fez o que podia fazer
Não adiantou
Até seus versos perderam a força
Seu poema já não é desabafo
O que terá acontecido? se pergunta
Não sabe como se perdeu
Não sabe como ficou frio
Não sabe
Sabe apenas que tentou, e não deu

E se quebrou
Dos cacos tenta ser uma outra pessoa
Uma mais profunda, mais rica
Mais sabia, mais espontanêa
Mais encantadora

E pede que a força da sua palavra volte
Pede que sua alma extravase
Novamente como rio
Pede para ser coração
Pede para voltar a ser como antes
A ser coração

Solto

Vê e escreve, vê e escreve, são as palvras da minha alma agitada, perplexa. Cartase sempre é minha salvação, escrever sempre meu amparo, meu sustentáculo da razão fragilizada, do "eu" que se entristece por se achar pequeno na sabedoria de vida, sabe apenas que o desejo por tê-la é o maior que possui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O coração quem o decifrará?

O coração, quem o decifrará? Já questionavam os sábios antigos. Provavelmente, perplexos com os dilemas, sensações, vontades, inquietações, pensamentos, caminhos e descaminhos que passam pelo pequeno orgão pulsante.


Mas não é necessário ser sábio para se deparar com essa pergunta penetrando o ser, basta deixar a vida entrar, de tal forma que se instale o paradoxo - gostar e desgostar - isso é suficiente para qualquer um começar a filosofar a respeito das coisas do coração.


Um olho que busca o outro, a boca desejando a outra, um rosto encontrando a face anseada. Caminhos se cruzando. Sinais, intenções se somando. Entregas, doações, renúncias. Vidas que se permitem viver. Nisso tudo entra. A contradição, a diferença, picuínhas também são elementos para a mistura. Brigas, raiva, discuções, silêncio, vale até a distância e o sofrimento. Nada escapa, tudo é ingrediente. Se anda ou desanda, só o tempo saberá. Afinal, sempre serão dois, já existe muitos que colocam mais um ou outros, não importa, e por não ser um, é que tudo é incerto e frágil. Um é sim, o outro talvez. Tentar, não tentar. Sonhar? Quem sabe. Está instaurado o paradoxo. Cabe a um aventurar-se e seguir em frente.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um pouco de mim

A tempos atrás tomou uma dífícil decisão, a de não se envolver com ninguém. Isso trouxe segurança a sua vida. Era mestre em dizer não me apaixono. Falava com a certeza de que essa seria sempre a sua verdade, a mais absoluta. Esse estado de graça permaneceu inalterado por muitos anos. Ergueu um baluarte dentro de si, isso impedia a entrada de qualquer invasor. Estranha essa visão, do outro ser invasor. Mas era exatamente assim. Algo dizia que tanta fortaleza era demais. No entanto, já não sabia como voltar atrás, como desfazer, melhor, implodi suas edificações. A vida, sua tutora, nunca concordou com esse modo de viver, sempre dizia, trancafiar-se é iludir a si mesmo, é morrer mesmo vivendo intensamente as efemeridades dos desejos. O coração também foi feito para ter vida. Demorou para aprender, mas a dura prática mostrou que quando o coração não se sente vivo, ele se trasforma, até a sua forma passa ser outra, a de um cubo concretado sem pulsação. Seu coração era assim, e isso já o incomodava. Sua segurança era ser frio. Perguntava-se, acaso, existe alguém que possa conviver com a frieza? Ninguém pode. Ela é dominadora e sua insensibilidade é venenosa a qualquer alma. Só percebe isso aquele que a teve por companheira. Seus ardis e dissimulações estão encobertos pela ilusão de que ela é forte, resoluta, dona das situações. Num mundo individualista, como o temos hoje, encontramos muitos cegos adeptos dessa filosofia. Mal sabem das teias que armam para si. Indiferença e frieza são venenos, trancam o coração e matam a alma. Sabe disso pela experiência que passou. Não é fruto de sua imaginação fertil. Foi tudo vivenciado. Viu o seu bálsamo, sua segurança de entrar e sair dos enlaces da alma, sempre em prefeito estado de conservação - frio e duro - tudo se transformando em cadeias e veneno. Aprendeu amargamente que não sentir nada, é absolutamnte, muito mais doloroso do que ter um coração não correspondido. Decidiu romper relações, para isso, derrubou todas as suas edificações. Fez guerra contra ele mesmo e saiu vencedor. Ao final, viu o estado do seu órgão cardio, estava machucado por tanta segurança. Sabia que ainda havia como vivificá-lo. Pegou a chave e destrancafiou as correntes que o impediam de pulsar. A liberdade entrava nele, a fé na incerteza, a habilidade de se cicatrizar, novidades a tanto esquecidas. A vida do coração é rica e quer toda essa riqueza. Seus caminhos são distintos, as vezes, reservam dor. Do coração se ouve a voz da sabedoria. Deseja ardentemente beber essa água. Mergulhar nesses rios caudalosos. Tempestades e calmarias são o destino do coração. Prefere viver assim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Esses dias

Fez uma carta, falava de reconciliação, colocou seu coração nela, mas não enviou, guardou, preferiu esperar por que veio paz, ao pensar, é melhor deixar a amizade tomar o lugar vázio, sentiu-se melhor por ver que ganhou um amigo, e descansou.
Na manhã seguinte seu primeiro pensamento foi um nome, disse para si, a amizade tome seu lugar, gostaria de ter um botão capaz de desligar, por um instante, um simples momento, o nome que não sai da lembrança, dizia será o silêncio meu remédio, meu amargo bálsamo, até que a areia branca tome seu lugar, temia que com isso fosse se afastar de quem não queria está longe, ainda teme...
Dias já se passaram, conversas ocorreram, a paz chegou, a amizade tem tomado o lugar, mas o tentar ainda não sai, seu consolo é esperar "o que será, será", a vida é assim.
De repente um silêncio de dois, cortado por um fim de semana para esquecer, vai caminhando bem, até acordar e ver que o dia será muito mais longo do que queria, e que por todo esse longo dia, uma saudade agitaria o peito, insistiu no seu dizer a amizade tome seu lugar, inusitadamente, uma nova conversa com o agora amigo, uma ótima conversa, o pensamento já percebia amigos somos, despediu-se da ótima conversa e dormiu, acordou tranquilo, sossegado, e repetia serenamente para si amigo agora somos, até que o silencio foi rompido por uma mensagem, doce mensagem, que dizia coisas boas de nossa conversa, decidiu responder, ficou se perguntando porque aguardo resposta, lembrou do carinho que ainda leva consigo, pensou nesse carinho com mais carinho ainda, não queria deixá-lo num lugar comum, por isso tocou-o novamente dentro de si, sabia que ele podia evocar o nome, tanto que aconteceu...
Passou o resto do dia no silêncio de dois, não tinha se acostumado, embora pensasse que sim...
Desabafa e deixa tudo tomar seu lugar...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Despedida no aniversário

Mesmo que a razao diga foi melhor assim
O coração desmente tudo
Eu ja não sei o que é melhor
Se distância ou presença
Se o tempo sara ausência
Eu já nem sei o que esperar
Pois se ainda sinto o tempo não passar
Pois se fico a imaginar
Que sim.. poderia ter sido diferente
Se eu tivesse sido diferente
Não sou de guardar teorias e fórmulas de felicidade
Sou de viver
De acreditar
Mesmo na dor, mesmo no pesar
Que poderia ser diferente
E agora aqui estou
Desconsolado estou
Pois se antes eu poderia te ligar
E assim me confortar
Com tua voz ao falar
Um simples oi, olá
Hoje me resta o silêncio
E saber como ainda vou descobrir de te esquecer
Perto de mim
Amizade sim com certeza não morrerá
Mas eu vejo que terei que me afastar
Me guardar da tua presença
De contigo querer ficar
Não se preocupe, vou melhorar
Vai passar a dor
E eu poderei te ver novamente e sorrir ao teu lado
Por enquanto, o que faço, agora
É o desabafo da alma
A frase que ficou
Do filme e livro homônimo que você não gostou
E com o desabafo passa
Apesar da vontade ser de gritar
Vamos voltar... (mas isso digo só para mim)
Ou melhor vai passar.. a dor
E ficar o que você falou
Da crônica de Arnaldo Jabor
"Demos certo"

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Água

Sou água
As minhas cachoeiras, os meus lagos estão ocultos
Me apresento sempre como órvalho
Sou singelo, simples como uma gota d'água
Procuro aquele que aprecie o suave toque
O gesto simples do chuvisco,
quando molha suavemente o rosto

Minhas torrentes, as tenho, guardadas
A chuva que lava a alma andam comigo
As crianças saltam de alegria nas ruas
quando desço montado em um toró
Eu sou a alegria das coisas simples
Meu espetáculo eu guardo para os
que desejam o toque do órvalho

Um dia desses

Onde está a minha força? Eu a entreguei e não sei ao certo se a terei de volta, digo que gostaria de volta a ser a pessoa confiante de outrora, o menino com coração de homem, o homem com coração de criança, aquele que busca crescer, que olhava para a singelesa da vida para achar os caminhos da sabedoria. Se vê partido. Tentando juntar-se para ir em frente naquilo que se propôs. Está sozinho? Não sabe ao certo, mas senti-se assim, e por isso viu sua força ir. Quer se recuperar, para prosseguir rumo ao seu destino. Chora, gostaria de chorar, lágrimas que lavam a alma. Não tem forças, seu ânimo se rende a melancólia de uma areia branca.



Sempre se pergunta para quem serão os versos, para quem serão as palavras lançadas? porque não se vê nelas? porque a canoa quebrada retorna a prosa na subjetividade de quem falou que esqueceu? porque agora que se vê quebrado retoma-se a um dia tão triste?



Queria a força de muitos outros versados na literatura, queria a virtude dos que tem o espírito iluminado. queria ser mais profundo na vida, queria mergulhar na sabedoria, queria fazer dela sua companheira...



Não sabe como, não sabe nem se essas palavras eram para está aqui



Sente no coração um aperto e pensa se eu pudesse te levaria ao meu jardim, te mostraria as minhas flores, te encantaria com meu perfume, te banquetearia com o pomar que com amor cultivei. Agora sou espinho, não por querer, estou quebrado, partido no espírito, pede a mim para conquistar-te, mas eu pergunto, você sabe que tenho um jardim? vê que tenho flores e um pomar para ti? E que meu perfume é teu? Porque não entras se diz dentro de você que sim. Sou apenas espinho? É isso que teus olhos vêem?



Olha o coração, escuta-o, estou quebrado, fiz meu melhor, faço meu melhor, já não sei, já não sei o que fazer...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Seria eu o sorriso, quando há a distância? Confortaria saber que sim. Mas ainda existem diálogos que não compreendo, fala-se de morte, de cacos quebrados, restam tantos significados nessas palavras. Sei que um deles diz respeito a transformação e me confortaria saber que essa seja a intenção. Tenho incertezas do se passa na mente de outrem, embora eu não tenha a ousadia de perscrutá-lo, tento apenas decifrar esses códigos, que não pertencem a mim.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Quando - em prosa

Quando voltaram meus versos, minhas prosas, minha certeza de andar na incerteza, já não sei como me dirigir, tudo porque não sou eu quem controla os demais, no máximo provoco o encantamento, mas quando o posto é a dúvida do outro, e não me refiro a coisas expostas, e sim a uma que é lida nas entre linhas, nas fotos, em certas palavras, numa intenção tão sutil, seria loucura minha, estaria delirando uma aproximação, imaginado uma reconciliação. Sei que não me reconheço, hoje me vejo espreitando, procurando pistas, não descanso, ando desconfiado; devo me lançar e correr os riscos como sempre faço ou devo seguir o que os outros dizem, vá com cautela para não se ferir. O meu maior inimigo nessas horas sou eu mesmo, poque não aprecio a cautela, sou demasiadamente oferecido, e quando não sou assim, me sinto sendo desonesto comigo. Mas dessa vez o sentimento da reserva é maior do que eu, e hoje para completar fui admoestado a entender que tudo nós não temos, sempre haverá uma incompletude, agora qual delas eu devo escolher à fidelidade em troca do sexo, o carinho pela fidelidade, a atenção pela certeza, qual dessas incompletudes é a mais importante, qual sentido eu devo trilhar. Tudo resulta numa perdar, em deixar algo "importante" passar. É tão mais fácil quando o outro sabe o que quer, por que assim você também, nem que seja forçado a isso. E o que era para ser meu descando é na realidade meu assombro, o ser humano não é absoluto, ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa realmente gostar, ela volta, mas no meu caso não será para os meus braços.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Quando - em verso

Quando a música é o preságio

Quando um dia nebuloso e chuvoso evoca a reflexão

Quando uma foto insiste em mostrar um passado desconhecido

Quando não é um, nem dois corações, e sim três

Quando há mais perguntas que respostas

Quando resta ainda muitas perguntas a serem feitas

Quando o sentimento é de incerteza

Quando o verso é o conforto

Quando o que foi dito é incerto

Quando ainda não se sabe qual caminho trilhar

Quando o acreditar é correr risco

Quando você se questiona

Quando você pensa no mar

Quando não é por você que se entristece

Quando se quer um abraço de paz

Quando você pergunta o que fazer, para onde ir?

Quando você fecha os olhos e vê a pessoa

Quando a pergunta é, vale a pena?

Quando os dias são tardios

Quando você lê em quem pensa?

Quando eu fiz isso não fiz por mim, e sim por você, porque muito desses "quando" lembram você

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Alguém para encantar

Baseado em fatos reais. A vida e suas teias de conspirações, sempre ardilosamente tramando encontros e desencontros não apenas entre pessoas, mas principalmente entre corações, porque nenhum absolutamente nenhum deles deseja estar só, anseia por outrem, alguns são rápidos e acham-se arrajados por muitos anos de vida, já outros não, e é desses que falo, parecem sentenciados a viverem situações de conflito e indecisão, é como se estivessem na obrigação de aprenderem a encantar, mas a quem? Se os outros não querem, ou melhor, se são divididos, entre uns e outro, ou quando, na melhor das hipoteses, por você e outro coração. Assim os desarranjados continuam sua labuta, dia após dia, despertar o encantamento alheio, sabem que nada é eterno, no máximo duradouro e é isso que buscam, já que não se ligam a efemeridades, antes são de se lançarem completamente, acreditam, torcem por dar certo, mas sabem que não podem fazer isso sozinhos, o outro também, e é aqui a dificuldade, porque cada um, um mundo. A sina dos desarranjados é justamente essa, lidar com as imprevisões e repentes dos supostos corações correspondidos, porque esses se mostram de início abertos a darem certo e a se arranjarem, apesar de colocarem suas dificuldades, como qualquer um outro faz, se dizem dispostos a superá-las, a disvenciliarem-se do passado, só negam que aquilo que os prendem é profundo demais para eles, e que, no entanto, só podem ver, não quando estão só, mas quando estão se aproximando de outro coração, e assim os desarranjados continuam a buscar o encantamento, porque covardes é algo que estes não são.

domingo, 21 de junho de 2009

03:30AM

São 03:30 AM, mais uma noite de insônia, alias essa tem sido a minha rotina, e eu que nunca tive sono bem ordenado, fui comtemplado, porque agora é sagrado ver meus olhos arregalados antes mesmos dos passarinhos cantarem ao alvorecer. E na tentativa de tornar a madrugada menos cansativa, decidi fazer hoje deste ócio algo produtivo, se bem que na verdade, acho que é muita pretensão minha, porque na realidade estou apenas deixando a mente a vontade para qualquer idéia criativa, típica acredito dos gênios que se permitem passar horas em busca de algum conto fantástico surgido justamente de momentos como este meu, onde eles se colocam na tarefa de produzir algo, mas a quem quero enganar sou apenas mais um com insõnia nesta madrugada, o que eu torço na realidade é que o meu cérebro ligue a função "stand by" e pronto, já qe nada melhor que dormir numa noite chuvosa e fria, evidentemente que se você se encontrar nesta situação, o bom não seria dormir, deixo o complemento para os mais imaginativos, não sou de ficar dando detalhes de coisas tão corriqueiras. Pelo jeito o dia amanhece e continuo não dizendo nada de intessante, acho que pelo menos valeu o esforço de escrever mais de 20 linhas, porque agora só faltam mais uma hora e meia para o amanhecer. Vou ver se está passando algo na tv, venda de jóias, videos clips, filmes, fala que eu te escuto, enfim nada que me intesse; ai ai.. vou para cama, quem sabe o sono venha...

Tudo teoria

Tudo teoria, uma grande mar de cofabulações e pensamentos, que enquanto estão na mente são tão ordenados e dão resposta para qualqur tipo de situação. Mas como eu diria tudo não passa de teorias, porque quando a realidade é que confronta, quando é ela que pede as respostas, tudo embaraça, o chão deixa de existir, vejo apenas o turvo, a confusão de pensamentos soltos, há a apenas a tentativas de retorna ao início, ao momento de paz onde reinava o equilíbrio e só havia afirmativas, nada de interrogações ou reticências. Porque sempre é assim ao lidarmos com o outro, ou melhor, porque eu sou tomado a dar chances? Eu deveria ser racional, friamente calculista, ou tão somente fazer relação probabilística, simples atitude já adiantaria muita coisa, já que isso seria capaz de sinalizar o que dá certo, do que não dá. Definitivamente não sou assim, prefiro acreditar na incerteza, ou melhor, dá chance a ela de construir uma história. Devem achar isso loucura, pode ser mesmo, mas não temo esse tipo de insanidade, prefiro levar a vida assim percorrendo os caminhos incertos do meu e dos outros corações.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Inconformidades

Por uma vida bem mais que mais ou menos, por um extravazamento de sensações e sentimentos, por uma euforia que jorra na loucura da vida de um espírito "livre", sim por isso e por tantas outras coisas para ser vivida, anseio. Pergunto o que faço para me distanciar tanto daquilo que gosto, do almejado por minh'alma, enfim da vida sonhada, que não consigo tocá-la com minhas mãos, apenas em devaneios a sinto, ainda assim envolta a um nevoeiro de dúvidas e inseguraças. Tenho me visto imerso num mar de coisas comuns, por isso a sensação de sufocamento, agônia e agitação interna, tanto mal-estar que sou levado a ser contra à apatia das mentes conformadas com a mesmiçe, pessoas medianas que tem apenas como hábito zombarem nas ruas dos loucos e subversivos, não sabem eles que hoje são estes meu alento, minha esperança e luz neste mundo tenebroso, é bem verdade, provavelmente nunca chegarei aos pés de nenhum destes, que guardaram no seu espírito seus valores, sei apenas que lutarei, enquanto houver folego, para ser mais um louco nesse mundo. Quem são os meus heróis insanos que falo, explicarei: hoje estender a mão ao próximo é subversivo, a busca por humanidade, iluminação, sensibilidade, respeito, espiritualidade é loucura. Triste ver que poucos são os que tem essa disfunção social. Todos são iguais na indiferença, no desrespeito, viciados em si mesmos, incapazes de ter um juízo além da aperência, esquecem dos tesouros guardados nos corações e simplesmente desprezam qualquer ato nobre, preferem sempre o caminho da ignorãncia, da estupedez, desconhecem que há sabedoria nos caminhos da vida, não querem ser ensinados, e eu não posso negar ainda sou mais um com a massa, vejo os profetas, sábios, magos, gente que não se vendeu, não tomou o caminho mais curto, antes foram fiéis a si mesmos, vejo estes e me esforço para mudar, para também ser um ensandecido, mas há tanto para ser mudado, tanta luz para alcançar, tanta humanidade a ser construída, tanto, tanto, tanto...
Mas é assim, sempre será, mudanças não nascem prontas, elas vão se somandos a eventos que à princípios parecem estarem soltos, deconexos, mas pouco a pouco vão se ligando, ganhando forças, provocando sensações de desconforto, necessedidade de ir além, fazendo ir em busca por respostas de perguntas que muitas vezes nem se encontram prontas. És o terreno das inconformidades, é onde estou, em transição mais uma vez, tentando elevar o espírito e temendo não romper com as fraquezas dos homens comuns.

domingo, 12 de abril de 2009

A menininha (Incompleto)

O que fazer quando uma inspiração bacaninha não vem, talvez o melhor seja ir, teclando de maneira solta, sem compromisso com a ordem. Como um exercício para a mente liberar aquilo que está dentro, seja o grito, a dor, a alegria, ou uma pessoa, por falar em pessoa há uma especial, a menina dos gatinhos, tanta sensibilidade, tanta humanidade, e eu aqui com cara de santo, e ela triste, chorando pela vida dos gatinhos, e eu simplesmente olhando. Não sei se sou gente não, fico apenas olhando tanta coisa que passa nesse mundo, vejo pedintes, velhinhos, doentes, tanta gente precisando de uma mão e eu com cara de santo o que faço então, nada não, nada não. Ela nem acredita em santo, mas tem mais coração, muito mais fé que muito santo por ai e faz mais que eles, ela não acredita em santos de barro, mas quieta tira os sapatos para lutar por mais dignidade e valores humanos. E eu, aqui, vejo e dentro de mim diz, preciso mudar, tenho que aprender a ser iluminado

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Dois corações

Dois corações, vivem uma história nada convencional nos dias atuais, onde toda e qualquer forma de sentimento afetuoso é visto apenas como demonstração de um romantismo barato, ralo e pertencente apenas na mente dos ingênuos e imaturos, mas ao contrário do que muitos imaginam, principalmente num meio onde a pele é a dirigente das relações, esses dois corações vivem, ainda que não haja toque. Mas não se enganem, há neles os mesmos medos e anceios que passam qualquer um outro, possuem olhos que desejam, sim, são de carne, osso e sangue.

E porque afinal os dois corações são diferentes das outras pessoas? Não é que eles sejam, falando a verdade, não há nada demais neles, em relação a todo sentimento, emoção e dificuldades que passam qualquer outra pessoa, mas a história que se propõem a construir, essa sim é distinta, embora não tenham orquestrado isso, porque não ficou acertado nada entre eles de que um seria do outro, mas cada um vive exatamente assim de forma espontânea, um sem querer querendo, alías de certo mesmo foi o "fim", mas quem disse que as coisas são exatamente como determinamos que sejam, ainda mais nesta vida onde a contraditação parece ser a força-motriz de vários eventos, e o que era para ser o fim virou o começo, talvez essa seja a revelação de um sonho, no qual um deles morria. Morreu para viver uma nova vida inteiramente diferente, com maior alegria e satisfação do que as outras que viveu, e é assim simplesmente porque deixou de ser covarde e deciciu se aventurar nesse caminho incerto, que é o do coração. Sabe que poderia ter sido diferente, se caso tivesse preferido o lugar seguro, que é o da indiferença, mas algo dizia para continuar e enfrentar qualquer que fosse o obstáculo, e faz isso porque acredita que seguir este caminho vale o esforço.

Eles são olhos, mas antes de tudo são coração, e por isso torcem pela felicidade do outro, mas essa história incomum pode terminar como tantas outras, com os corações separados, pois isso faz parte da vida, onde nem sempre o final esperado é aquele que ocorre, mas isso não anula o esforço e as tentativas de acerto, e como a vida é essa caixinha de surpresas que nos reserva incertezas, esse coração que agora fala prefere transformar toda incerteza numa esperança, a de que vale viver assim pelo outro coração, mesmo quando nos resta apenas olhar nos olhos.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Uma história

De forma inesperada um bilhete chega, uma incerteza então invadiu a mente, o que responder, será que é mesmo quem eu penso ser, dúvidas, mas então surge uma certeza, uma resposta minha, ficou tudo acertado. Dias depois um encontro, olhos nos olhos, palavras que cativavam, carinho, atenção, vontade de estar junto, mas ainda assim, dentro de mim haviam reticências, seria realmente como estava começando, eu estava dividido, mas a cada dia sutilezas geravam apreciação, embora eu ainda falasse apenas o necessário, não pôde ver que era apenas uma armadura, que ao dizer te gostando, estava ainda me protegendo. Mas dia após dia eu estava me desarmando e acreditando que era verdade o que ouvia. E por querer está mais junto, atravessei a cidade. Fui encontrar quem procurava, e de olhos nos olhos o dia foi passando, e naquele dia eu me desarmava e acreditava que eram verdadeiras as palavras. Mas nessa vida as coisas nem sempre são como esperamos. Acabamos tropeçando em nossos erros, mesmo quando nos esforçamos para acertar. E no mesmo dia que o coração dizia sim, ele acabava determindo o próprio fim. Não sabia que haviam marcas tão profundas, justamente naquele outro coração que ele havia decidido repousar, mas essa verdade já havia sido revelada. Mas este coração que errou por não ser sensível no momento certo, antes foi comum como tantos outros. E então o seu sonho se desfez, quando aquele outro coração disse que não podia ser mais seu companheiro, que eu deveria me desapergar, que não devia parar minha vida. Mas o coração que agora chora não acreditava, ficava se perguntando como uma história pode terminar assim, sem ter nem mesmo um capitulo, apenas com uma introdução e um fim abrupto. E o coração foi vendo que realmente a cada dia era a afirmação do fim, pois não ouvia mais o pedido gentil e doce, nem as palavras de outrora, que as conversas se tornaram em falas curtas. O fim então foi aceito, e com ele duas coisas, uma dor profunda e uma incerteza, como irá conseguir está próximo quando na realidade quer ser mais que um amigo, não sabe simplesmente não sabe, porque como desapegar, como essas coisas simplesmente são feitas, não há respostas, apenas dor, uma vázia dor...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vocês

Palavra, veneno
Punhal, palavras

Não é um poema
É uma lamentação
Antes fosse uma oração
A você e a vocês
Uma de consolo, outra de arrependimento

Mas você o que faz?
O silêncio
Um amargo silêncio
Por ser doce
Penoso esse caminho de salvação

E você o que faz?
Grita, esbraveja
Não sabe, isso fere
A alma e abate o espírito
Coitado...
Caminha sem saber para solidão
Triste fim
Faz o bem
Mas com as palavras semeia a dor e a tristeza
Não vê que perde o que mais procura, a Sabedoria

Não vê ninguém e por isso
Estará também sem ninguém
Mas torço
Que tanto você, como você também
Sejam felizes

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O fênix no reino dos homens

O menino que teimou a crescer vê agora que o tempo chegou, e que não pode demorar, ele sabe que não é mais um garoto e sim um homem. A vida, sua mãe, rica em sabedoria, trouxe a sua consciência o desejo por mudança. Agora a criança com coração de homem sofre com a incerteza de saber se alcançará a sabedoria que mantem o espírito aberto à beleza da vida, ele sabe que no reino dos homens todos deixaram suas lembranças infantís e endureceram o coração, são governados apenas pelos seus desejos egoístas. Mas ele quer crescer, é seu anseio profundo, porque ele viu que a vida é maior que o seus sonhos e os caminhos que ela possui são verdadeiras veredas de sabedoria, mas como homem deve andar nesses caminhos, e não como uma criança ingênua. Guarda no coração os ensinamentos, pois sabe que estes devem permanecer até o final da sua jornada, porque senão a criança crescerá mas se tornará comum a todos os demais, deixando a luz dos seus olhos e o desejo do seu coração de se manter aberto a sabedoria da vida. Crescer por crescer ele nunca quis, antes foi criança até o momento que podia ser, e este momento durou muito mais do que qualquer um outro. Agora ele cresce feliz por que é homem, anda e vive assim. No seu coração arde o desejo de ser sábio, mas este caminho ele ainda desconhece e por isso se abate e seu peito apertar, contudo sabe que enquanto essa vontade permanecer ele poderá encontrar a sabedoria e assim ser completo.

E agora José?

De todos os desejos, o maior é por crescer
De todas as incertezas, a maior habita no coração
Assim estou, essa obra incompleta,
Metade desejo e a outra incerteza

Um grito e um suspiro
Um sonho e uma pergunta
E agora José?
Sou eu inquietado no peito

As palavras, gostaria de dizer, todas
Mas sou impedido, pela mesma
Angustia que as geram
Resta-me soltá-las ao vento

E como um quebra-cabeça
Juntá-las, devo
Afim de chegar a ordem
E sair do caos

E fazer do verso
O desabafo
A calmaria
E a paz da alma