quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Momentos de sabedoria

A vida, a grande mestra da sabedoria, sempre sabe o que faz. Seus caminhos são acertados, mesmo que momentaneamente incompreendidos, mas ao que se abre aos seus ensinamentos adquire sabedoria. O menino vê isso. Com certa, dificuldade abriu os olhos e não pode fecha-los agora. Vê que inventou, deu vida, cor e cheiro ao que era cinza. Criar é sua maestria. Tem o dom de dar cor. Seus olhos meigos se detem no que é belo. Agora tem a tarefa de desconstruir. Sabe que isso é reconhecer que errou. Essa é sua dor, que vem pela aceitação, de que "na vida tudo é frágil, tudo passa". Tira dos instantes ensinamentos. Faz disso seu ofício. O aprendiz da vida, precisa se reinventar. Deixar que a cor cinza seja vista como cinza. Dentro ele diz, não sou assim, mesmo no cinza há magenta, ciano e amarelo, vê assim. Acha melhor se deter no belo. Não é mais tão utópico como antes. Suas asas recolheu e posou os pés no chão. Tem outras histórias para escrever, faz disso um aprendizado. Tem para si que cada fim, um começo, e de cada início, acredita e torce, até ter dado cabo. Guarda que tudo se resolve para o bem. O menino que tem muito a aprender, aprende dia-a-dia. Sua filosofia é a simplicidade da vida. Seus contos são desabafos. É regido pelo coração. Acredita na sabedoria que emana do seu espírito. Pede todos os dia por sabedoria e ela se apresentou. Novos tempos de transformação. Já conhece esse caminho. Reinvento é seu nome.

Versos de um dia mal

Ele já não se reconhece mais
Colocou uma máscara de alegria
Para encantar
Mas sabe que seu melhor
Talvez não baste
Sabe que corre o risco
O risco de se quebrar
E junto o seu coração

Perguntam se a máscara era falsidade
Não era, sabe que não era
Era vontade de encantar
Era desprendimento de si
Era desejo de acertar

Já não se reconhece mais
Aquilo que era natural, deixou de ser
Perdeu o frescor de originalidade
Não sabe como agir
Não sabe como encantar
Ou melhor, já fez o que podia fazer
Não adiantou
Até seus versos perderam a força
Seu poema já não é desabafo
O que terá acontecido? se pergunta
Não sabe como se perdeu
Não sabe como ficou frio
Não sabe
Sabe apenas que tentou, e não deu

E se quebrou
Dos cacos tenta ser uma outra pessoa
Uma mais profunda, mais rica
Mais sabia, mais espontanêa
Mais encantadora

E pede que a força da sua palavra volte
Pede que sua alma extravase
Novamente como rio
Pede para ser coração
Pede para voltar a ser como antes
A ser coração

Solto

Vê e escreve, vê e escreve, são as palvras da minha alma agitada, perplexa. Cartase sempre é minha salvação, escrever sempre meu amparo, meu sustentáculo da razão fragilizada, do "eu" que se entristece por se achar pequeno na sabedoria de vida, sabe apenas que o desejo por tê-la é o maior que possui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O coração quem o decifrará?

O coração, quem o decifrará? Já questionavam os sábios antigos. Provavelmente, perplexos com os dilemas, sensações, vontades, inquietações, pensamentos, caminhos e descaminhos que passam pelo pequeno orgão pulsante.


Mas não é necessário ser sábio para se deparar com essa pergunta penetrando o ser, basta deixar a vida entrar, de tal forma que se instale o paradoxo - gostar e desgostar - isso é suficiente para qualquer um começar a filosofar a respeito das coisas do coração.


Um olho que busca o outro, a boca desejando a outra, um rosto encontrando a face anseada. Caminhos se cruzando. Sinais, intenções se somando. Entregas, doações, renúncias. Vidas que se permitem viver. Nisso tudo entra. A contradição, a diferença, picuínhas também são elementos para a mistura. Brigas, raiva, discuções, silêncio, vale até a distância e o sofrimento. Nada escapa, tudo é ingrediente. Se anda ou desanda, só o tempo saberá. Afinal, sempre serão dois, já existe muitos que colocam mais um ou outros, não importa, e por não ser um, é que tudo é incerto e frágil. Um é sim, o outro talvez. Tentar, não tentar. Sonhar? Quem sabe. Está instaurado o paradoxo. Cabe a um aventurar-se e seguir em frente.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um pouco de mim

A tempos atrás tomou uma dífícil decisão, a de não se envolver com ninguém. Isso trouxe segurança a sua vida. Era mestre em dizer não me apaixono. Falava com a certeza de que essa seria sempre a sua verdade, a mais absoluta. Esse estado de graça permaneceu inalterado por muitos anos. Ergueu um baluarte dentro de si, isso impedia a entrada de qualquer invasor. Estranha essa visão, do outro ser invasor. Mas era exatamente assim. Algo dizia que tanta fortaleza era demais. No entanto, já não sabia como voltar atrás, como desfazer, melhor, implodi suas edificações. A vida, sua tutora, nunca concordou com esse modo de viver, sempre dizia, trancafiar-se é iludir a si mesmo, é morrer mesmo vivendo intensamente as efemeridades dos desejos. O coração também foi feito para ter vida. Demorou para aprender, mas a dura prática mostrou que quando o coração não se sente vivo, ele se trasforma, até a sua forma passa ser outra, a de um cubo concretado sem pulsação. Seu coração era assim, e isso já o incomodava. Sua segurança era ser frio. Perguntava-se, acaso, existe alguém que possa conviver com a frieza? Ninguém pode. Ela é dominadora e sua insensibilidade é venenosa a qualquer alma. Só percebe isso aquele que a teve por companheira. Seus ardis e dissimulações estão encobertos pela ilusão de que ela é forte, resoluta, dona das situações. Num mundo individualista, como o temos hoje, encontramos muitos cegos adeptos dessa filosofia. Mal sabem das teias que armam para si. Indiferença e frieza são venenos, trancam o coração e matam a alma. Sabe disso pela experiência que passou. Não é fruto de sua imaginação fertil. Foi tudo vivenciado. Viu o seu bálsamo, sua segurança de entrar e sair dos enlaces da alma, sempre em prefeito estado de conservação - frio e duro - tudo se transformando em cadeias e veneno. Aprendeu amargamente que não sentir nada, é absolutamnte, muito mais doloroso do que ter um coração não correspondido. Decidiu romper relações, para isso, derrubou todas as suas edificações. Fez guerra contra ele mesmo e saiu vencedor. Ao final, viu o estado do seu órgão cardio, estava machucado por tanta segurança. Sabia que ainda havia como vivificá-lo. Pegou a chave e destrancafiou as correntes que o impediam de pulsar. A liberdade entrava nele, a fé na incerteza, a habilidade de se cicatrizar, novidades a tanto esquecidas. A vida do coração é rica e quer toda essa riqueza. Seus caminhos são distintos, as vezes, reservam dor. Do coração se ouve a voz da sabedoria. Deseja ardentemente beber essa água. Mergulhar nesses rios caudalosos. Tempestades e calmarias são o destino do coração. Prefere viver assim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Esses dias

Fez uma carta, falava de reconciliação, colocou seu coração nela, mas não enviou, guardou, preferiu esperar por que veio paz, ao pensar, é melhor deixar a amizade tomar o lugar vázio, sentiu-se melhor por ver que ganhou um amigo, e descansou.
Na manhã seguinte seu primeiro pensamento foi um nome, disse para si, a amizade tome seu lugar, gostaria de ter um botão capaz de desligar, por um instante, um simples momento, o nome que não sai da lembrança, dizia será o silêncio meu remédio, meu amargo bálsamo, até que a areia branca tome seu lugar, temia que com isso fosse se afastar de quem não queria está longe, ainda teme...
Dias já se passaram, conversas ocorreram, a paz chegou, a amizade tem tomado o lugar, mas o tentar ainda não sai, seu consolo é esperar "o que será, será", a vida é assim.
De repente um silêncio de dois, cortado por um fim de semana para esquecer, vai caminhando bem, até acordar e ver que o dia será muito mais longo do que queria, e que por todo esse longo dia, uma saudade agitaria o peito, insistiu no seu dizer a amizade tome seu lugar, inusitadamente, uma nova conversa com o agora amigo, uma ótima conversa, o pensamento já percebia amigos somos, despediu-se da ótima conversa e dormiu, acordou tranquilo, sossegado, e repetia serenamente para si amigo agora somos, até que o silencio foi rompido por uma mensagem, doce mensagem, que dizia coisas boas de nossa conversa, decidiu responder, ficou se perguntando porque aguardo resposta, lembrou do carinho que ainda leva consigo, pensou nesse carinho com mais carinho ainda, não queria deixá-lo num lugar comum, por isso tocou-o novamente dentro de si, sabia que ele podia evocar o nome, tanto que aconteceu...
Passou o resto do dia no silêncio de dois, não tinha se acostumado, embora pensasse que sim...
Desabafa e deixa tudo tomar seu lugar...