Lua testemunha, de uma ponta negra, onde dois puderam ser um. Histórias construídas do acaso da vida. Encantos que nascem simplesmente pela vontade. Palavras, olhares, toques, pele, tudo se conjulgou, tudo foi, até o fim. A lua foi a cúmplice, a coadjuvante, dos atores que decidiram ir. E foram, não temiam, se entregaram. A lua foi o álibe dos encontros, dos beijos, dos toques, de tudo, da vida. A lua doce e ancantadora não tinha do que se envergonhar, ela contemplava os livres, os desavergonhadamente imprevisíveis, aqueles que decidiram ir. E o destino que uniu, também os separou, justo em um dia de uma lua dourada, vestida para os amantes, mal sabia ela que já não os veria mais. No dia sublime, onde a lua tocava o mar, e o mar aceitava o seu toque. Eles não se tocavam, não se olhavam, preferiram olhar a lua. Entristecida, ela não resistiu, se escondeu. Fugiu do mar e foi para trás de uma nuvem escura. Não queria ser vista assim, no dia em que ela saiu para a alegria. A lua se entristeceu por saber que tudo é uma passagem, na vida dos homens tudo passa, seja o amor, seja a dor, passam. Foram os três com a vida. A lua, eu e você.
E simplesmente por não querer deixar passar, fica aqui, para sempre aqui, a estranha saudade daquele que se despediu.
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