quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Recomendações ao leitor: o seguinte texto não obedece as normas de coesão e coerência, portanto aos rígidos com a forma abstenham-se desse desprazer.

Fica se perguntando se pode sonhar com as palavras que permitem sonhar acordado. Apesar de achar isso perigoso - e ter guardado receios de sua própria história, e ter que se dar com velhas sirenes de alerta soando estridentemente, e ter mecanismos de preservação ligados, tudo por que no fundo, no fundo, é humano - os sons, as buzinas e as luzes giratórias não são motivo suficiente para o pararem diante do outdoor: siga as recomendações, cuidado! Indaga-se, que graça tem viver hermeticamente, calculando o próximo passo, obedecendo placas que indicam: siga em frente, dobre a direita, pare. Não quer se achar, antes se perder é a meta. Sonha com isso, mas o seu sonho também é seu temor. Falaram de insegurança, seria essa a sua? Melhor voltar ao que havia proposto, em achar a palavra, surgiu uma: a loucura. Presentearia alguém com isso? Quem em sã consciência faria isso? Ora existem vários tipos de loucura, ou melhor, muitos rótulos, subversão é considerado por alguns como insanidade, para ele é magnetismo. Estranho a essa atração, ele mesmo nunca foi subversivo, antes foi a norma, a regra, o padrão, ainda é. Por isso quer fugir de si. Suas palavras soam iguais a de um louco, quem afinal quer isso, todos querem se achar. Passou disso, considerou chato e monótona essa busca. Agora é hora de sair, não se preocupe, não é sua vontade vagar errantemente por ai como alguém sem destino certo. Quer sair para encontrar. A sua loucura é querer enlouquecer um outro. Não sabe se... mas certamente é essa sua vontade, seu pensamento.
Se te falassem que buscam uma palvra para te presentear, como você se sentiria? Não se assuste com minha pergunta é que gosto de passar o tempo assim, buscando uma forma de tocar com o que tenho, me considero um verbo, melhor tento ser, e se eu sou assim, só poderia agir dessa forma, buscando do verbo a palavra.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A metáfora do tempo - Dois meninos e a vida

Muitas horas, muitos dias, muitos meses, sim, já havia se passado muito tempo. Procurando o que fazer, encontrou velhos textos que trouxeram a memória antigas lembranças, todas guardadas no seu baú. Numa dessas leituras, a imagem de uma garoto veio surgindo, e ao contrário de outros momentos, ela não falava mais, antes, era apenas a recordação de um ensinamento, ou seja, aqueles contornos não pertenciam a pessoa alguma, assemelhavam-se a um registro de dados bibliográficos, que ao serem lidos remontavam a sua própria experiência com a vida, e que, somente agora, percebia a importância de tê-los guardados a tanto tempo. Do que se lembrava afinal? De algo tão comum e simples que relutamos com toda a nossa força para que não aconteça. Lembravasse de que tudo se transforma. Nada absolutamente nada escapa a isso, a semente morre e nasce a planta, estrelas colapsiam para gerarem partículas elementares de planetas e estrelas, flores mucham para dar lugar a novas sementes, o mar avança e regride, existe dias e noites, montanhas se formam onde há vales, picos desgastam-se nas mais profundas depressões, até mesmo o insondável coração do homem, ainda que este seja enrigecido, oscila e muda, tira lições, cai e aprende com erros. Sabia disso de ouvir falar, até que a vida decidiu fazê-lo experimentar as mais profundas dores que qualquer mudança exige, porque toda transformação pede renúncia, e sempre será pedido abrir mão de algo que queremos e almejamos com o coração, a conclusão que se chega é que isto é um processo doloroso, arracamos nosso bico, penas e garras, assim como as águias, para podermos resurgir com o novo. Mas e quando o novo não vêm, não por culpa sua, mas sim porque em algumas situações o processo é compartilhado, por exemplo como a construção de uma amizade, todos sabem que para qualquer relacionamento é necessário os dois caminharem, e sim isso pode ser doloroso, porque pode implicar em sérias transformações, disso se lembrava bem, porque já tinha entrado num caminho desses onde são preciso dois para trilharem, nunca um, por ser muito difícil, no entanto, ao entrar ele estava só, apesar de todas as juras de que seriam amigos, os dois meninos não estavam mais juntos, um ficou e o outro foi, a história narrada é do que foi, a história de alguém que já teve forte apreço por alguém, ja perguntaram você já amou alguém, sempre nega, diz não, no fundo há um silêncio, uma incógnita, um talvez sim deveria ser a resposta, mas até então, nunca foi revelado nada. Disso que experimentou gerou uma chama: a da transformação, ele trilhou o caminho de dois sozinho, a bem da verdade, ele queria sentir, ao chegar no fim da jornada, a manifestação de uma amizade verdadeira, isso não conseguiu, antes nele mesmo só havia o esquecimento, mas algo bom aconteceu, ao chegar do outro lado viu que o coração pode ter direções diferentes e sentimentos profundos podem ter diferentes tons. E se ele permitiu isso aconteçer, outros podem também.

O caminho é de dois, você não sabe, mas eu estou aqui, mesmo desapercebidamente eu caminho com você, e estou torcendo por você, ainda que eu também erre na minha trilhada.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Sol que ilumina por ser iluminado

Se sou Sol, muito mais é quem me vê.
Pois, ainda que sem saber,
É quem trás vida a esse Sol
Porque o que seria de um Sol se não fosse a Vida
Apenas mais uma estrela, dentre tantas outras,
E ainda que brilhasse intensamente não passaria de uma
estrela morta
Não haveria quem o contemplasse
Mas, hoje, por ter a Vida, seu brilho pode ser visto
E devido a Vida não é mais uma estrela moribunda, como
tantas outras que brilham ofuscantemente com luzes radiantes

É Sol que ilumina por ser iluminado

sábado, 11 de dezembro de 2010

Blindado e revestido

Como falar de escamas de dragão? Fecham, selam, resistem. As suas estavam caindo, deixando a pele grossa e fria. Suas placas descascavam, pulverizavam-se pelo atrito da excitação. Sentia-se feliz pelo calor que entrava e aquecia seu sangue de lagarto. E abrindo seus olhos, podia sonhar o seu sonho individualista de dois, seus delírios de evocação já enchiam seus pensamentos. Sua água começava a borbulhar. Sua magia voltava.

O que protege as escamas de dragão? Não é o sangue, nem é a carne, nem são ossos. Protegem o músculo, apenas um, o que pulsa.

Contrariedades. O músculo que bate não precisaria de proteção. Ele deveria ser livre para mover-se com sua força de vida e ecoar seu som. Não é assim, escamas o revestem para a sua segurança, paradoxo, suas escamas são sua prisão, nelas há espinhos, todos voltados para dentro, dirigidos para os movimentos da pulsação que liberta. Sua liberdade é vigiada por quem deveria proteger.

As suas escamas são suas história. Elas são a precaução. Não quer precaver-se. Quer perder-se de si. Pode isso. Para isso, deixa pulsar o cárdio, deixa seus ventrículos suas aurículas desfibrilarem-se. Mas suas paredes blindadas resistem o movimento. Contorcei-se pelo choque.

Mais uma vez as historias se confluem. Mecanismos de defesa são acionados, sirenes tocam, os espinhos dispararam seus ardis. Atingido foi com seus próprios anticorpos. E então recomeça, a doce agitação dá lugar à paralisia, se enrijece. Seu cansado coração luta. Não se permite parar.

Quem vencerá as suas contrariedades?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Plutão

Para astrólogos
É planeta
Para astrônomos
Foi planeta
Ah... para mim
Sim, para mim

Para astrólogos
O inferno, o invisível, o misterioso
Para astrônomos
Pequeno, distante, gelado
Ah... para mim
Sim, para mim

Para mim
Lembra lua cheia nascida do mar
É para mim
Uma tela de cinema, de filmes projetados,
de cenas cortadas, e quão maravilhosos são os seus cortes
Sim
É uma gargalhada soada depois do assombro, por pensamentos furtivos que entram pelos olhos

Já é para mim
O chamado de minh'alma
Semellhante a som de chuva molhando a terra
Sim, já é para mim
Uma pessoa