Fica se perguntando se pode sonhar com as palavras que permitem sonhar acordado. Apesar de achar isso perigoso - e ter guardado receios de sua própria história, e ter que se dar com velhas sirenes de alerta soando estridentemente, e ter mecanismos de preservação ligados, tudo por que no fundo, no fundo, é humano - os sons, as buzinas e as luzes giratórias não são motivo suficiente para o pararem diante do outdoor: siga as recomendações, cuidado! Indaga-se, que graça tem viver hermeticamente, calculando o próximo passo, obedecendo placas que indicam: siga em frente, dobre a direita, pare. Não quer se achar, antes se perder é a meta. Sonha com isso, mas o seu sonho também é seu temor. Falaram de insegurança, seria essa a sua? Melhor voltar ao que havia proposto, em achar a palavra, surgiu uma: a loucura. Presentearia alguém com isso? Quem em sã consciência faria isso? Ora existem vários tipos de loucura, ou melhor, muitos rótulos, subversão é considerado por alguns como insanidade, para ele é magnetismo. Estranho a essa atração, ele mesmo nunca foi subversivo, antes foi a norma, a regra, o padrão, ainda é. Por isso quer fugir de si. Suas palavras soam iguais a de um louco, quem afinal quer isso, todos querem se achar. Passou disso, considerou chato e monótona essa busca. Agora é hora de sair, não se preocupe, não é sua vontade vagar errantemente por ai como alguém sem destino certo. Quer sair para encontrar. A sua loucura é querer enlouquecer um outro. Não sabe se... mas certamente é essa sua vontade, seu pensamento.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Fica se perguntando se pode sonhar com as palavras que permitem sonhar acordado. Apesar de achar isso perigoso - e ter guardado receios de sua própria história, e ter que se dar com velhas sirenes de alerta soando estridentemente, e ter mecanismos de preservação ligados, tudo por que no fundo, no fundo, é humano - os sons, as buzinas e as luzes giratórias não são motivo suficiente para o pararem diante do outdoor: siga as recomendações, cuidado! Indaga-se, que graça tem viver hermeticamente, calculando o próximo passo, obedecendo placas que indicam: siga em frente, dobre a direita, pare. Não quer se achar, antes se perder é a meta. Sonha com isso, mas o seu sonho também é seu temor. Falaram de insegurança, seria essa a sua? Melhor voltar ao que havia proposto, em achar a palavra, surgiu uma: a loucura. Presentearia alguém com isso? Quem em sã consciência faria isso? Ora existem vários tipos de loucura, ou melhor, muitos rótulos, subversão é considerado por alguns como insanidade, para ele é magnetismo. Estranho a essa atração, ele mesmo nunca foi subversivo, antes foi a norma, a regra, o padrão, ainda é. Por isso quer fugir de si. Suas palavras soam iguais a de um louco, quem afinal quer isso, todos querem se achar. Passou disso, considerou chato e monótona essa busca. Agora é hora de sair, não se preocupe, não é sua vontade vagar errantemente por ai como alguém sem destino certo. Quer sair para encontrar. A sua loucura é querer enlouquecer um outro. Não sabe se... mas certamente é essa sua vontade, seu pensamento.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
A metáfora do tempo - Dois meninos e a vida
O caminho é de dois, você não sabe, mas eu estou aqui, mesmo desapercebidamente eu caminho com você, e estou torcendo por você, ainda que eu também erre na minha trilhada.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O Sol que ilumina por ser iluminado
Pois, ainda que sem saber,
É quem trás vida a esse Sol
Porque o que seria de um Sol se não fosse a Vida
Apenas mais uma estrela, dentre tantas outras,
E ainda que brilhasse intensamente não passaria de uma
estrela morta
Não haveria quem o contemplasse
Mas, hoje, por ter a Vida, seu brilho pode ser visto
E devido a Vida não é mais uma estrela moribunda, como
tantas outras que brilham ofuscantemente com luzes radiantes
É Sol que ilumina por ser iluminado
sábado, 11 de dezembro de 2010
Blindado e revestido
Como falar de escamas de dragão? Fecham, selam, resistem. As suas estavam caindo, deixando a pele grossa e fria. Suas placas descascavam, pulverizavam-se pelo atrito da excitação. Sentia-se feliz pelo calor que entrava e aquecia seu sangue de lagarto. E abrindo seus olhos, podia sonhar o seu sonho individualista de dois, seus delírios de evocação já enchiam seus pensamentos. Sua água começava a borbulhar. Sua magia voltava.
O que protege as escamas de dragão? Não é o sangue, nem é a carne, nem são ossos. Protegem o músculo, apenas um, o que pulsa.
Contrariedades. O músculo que bate não precisaria de proteção. Ele deveria ser livre para mover-se com sua força de vida e ecoar seu som. Não é assim, escamas o revestem para a sua segurança, paradoxo, suas escamas são sua prisão, nelas há espinhos, todos voltados para dentro, dirigidos para os movimentos da pulsação que liberta. Sua liberdade é vigiada por quem deveria proteger.
As suas escamas são suas história. Elas são a precaução. Não quer precaver-se. Quer perder-se de si. Pode isso. Para isso, deixa pulsar o cárdio, deixa seus ventrículos suas aurículas desfibrilarem-se. Mas suas paredes blindadas resistem o movimento. Contorcei-se pelo choque.
Mais uma vez as historias se confluem. Mecanismos de defesa são acionados, sirenes tocam, os espinhos dispararam seus ardis. Atingido foi com seus próprios anticorpos. E então recomeça, a doce agitação dá lugar à paralisia, se enrijece. Seu cansado coração luta. Não se permite parar.
Quem vencerá as suas contrariedades?
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Plutão
É planeta
Para astrônomos
Foi planeta
Ah... para mim
Sim, para mim
Para astrólogos
O inferno, o invisível, o misterioso
Para astrônomos
Pequeno, distante, gelado
Ah... para mim
Sim, para mim
Para mim
Lembra lua cheia nascida do mar
É para mim
Uma tela de cinema, de filmes projetados,
de cenas cortadas, e quão maravilhosos são os seus cortes
Sim
É uma gargalhada soada depois do assombro, por pensamentos furtivos que entram pelos olhos
Já é para mim
O chamado de minh'alma
Semellhante a som de chuva molhando a terra
Sim, já é para mim
Uma pessoa