sábado, 11 de dezembro de 2010

Blindado e revestido

Como falar de escamas de dragão? Fecham, selam, resistem. As suas estavam caindo, deixando a pele grossa e fria. Suas placas descascavam, pulverizavam-se pelo atrito da excitação. Sentia-se feliz pelo calor que entrava e aquecia seu sangue de lagarto. E abrindo seus olhos, podia sonhar o seu sonho individualista de dois, seus delírios de evocação já enchiam seus pensamentos. Sua água começava a borbulhar. Sua magia voltava.

O que protege as escamas de dragão? Não é o sangue, nem é a carne, nem são ossos. Protegem o músculo, apenas um, o que pulsa.

Contrariedades. O músculo que bate não precisaria de proteção. Ele deveria ser livre para mover-se com sua força de vida e ecoar seu som. Não é assim, escamas o revestem para a sua segurança, paradoxo, suas escamas são sua prisão, nelas há espinhos, todos voltados para dentro, dirigidos para os movimentos da pulsação que liberta. Sua liberdade é vigiada por quem deveria proteger.

As suas escamas são suas história. Elas são a precaução. Não quer precaver-se. Quer perder-se de si. Pode isso. Para isso, deixa pulsar o cárdio, deixa seus ventrículos suas aurículas desfibrilarem-se. Mas suas paredes blindadas resistem o movimento. Contorcei-se pelo choque.

Mais uma vez as historias se confluem. Mecanismos de defesa são acionados, sirenes tocam, os espinhos dispararam seus ardis. Atingido foi com seus próprios anticorpos. E então recomeça, a doce agitação dá lugar à paralisia, se enrijece. Seu cansado coração luta. Não se permite parar.

Quem vencerá as suas contrariedades?

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