segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Acordou, percebeu-se ao se olhar, com meticulosidade, não a sua carne, mas seu espírito, que precisava banhar-se, retirar de si a antiga forma de se ver. Até a noite anterior era cortez, atencioso, amigável, solícito, enganava-se com essa leitura de si, achando que a vida não o cobraria a verdade, podemos até fugir de nós mesmos por toda a vida, mas paradoxalmente no fim perceberemos que essa fuga se revestiu de ilusão. É desse laço que foge, de enganar-se, por isso nessa manhã seus olhos voltavam-se para as palavras proferidas que diziam renove-se, transforme-se. Inquietou-se profundamente. Seus olhos não haviam descansado nesta noite, passou as horas na cama, até o momento dos primeiros raios solares dispontarem, tendo uma incessante repetição de movimentos de virar-se e volver-se e abrir e fechar os olhos, até que acordou com o sol atravessando a janela do seu quarto e com o insistente pensamento de que precisava mudar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O que te basta?

Nudez, corpos, troféus, suor, desejo, submissão, dominação, experiências que rivalizam com a simplescidade da vida. Poder, glória, sucesso, fortuna, objetivos que rivalizam com a simplescidade da vida. Era nisso o que pensava, enquanto estava numa roda de homens, onde todos eram prontamente obscecados por exibirem as suas mentirosas experiências. Estava ali , e paradoxalmente, não quis baixar seus dedos, preferiu, silenciosamente, permanecer com eles levantados, agiu assim por ter decidido que não seria decodificado pelos demais, quis deixar a ilusão de que era o menino com face de menino. Essa foi a sua mentira.

Mas tarde, quando já havia chegado em casa, pensava: se as pessoas soubessem responder:_ O que te basta? A vida delas seria bem mais proveitosa.
E indagando-se continuou: _Mas como poderão responder se nem ao menos conseguem saber minimamente quem são. Como então aqueles que não conseguem se reconhecer diante do espelho da alma poderão saber o que basta para si? Talvez nem entendam nada do que está posto, porque tentar se conhecer é o primeiro passo para compreender todas as respostas, e como isso requer esforço e dedicação, muitas vezes exastiva, acabamos conseguindo a dádiva de ver o que nos basta.

E aqueles que não se importam em si encontrar nesta vida reproduzirão os valores adquiridos-repassados pelos demais. Pensando assim fica fácil perceber uma geração que tem como 'bastante para si' o que os outros afirmam ser suficiente para eles, e a vida se torna um cúbiculo que deve ser preenchido por sexo, dinheiro, poder e exibicionismo. Mas afinal isso saceia o homem, então por que muitos que conseguem lograr grande êxito nesses caminham se afundamento em si mesmos, na fragilidade da alma, nos desvios de comportamento, na incapacidade de se relacionar com o outro, porque os que seguem caminhos tão prazeirosos chegam a dizer que não são felizes? Seria realmente a vida tão amarga e o homem estaria fadado a sua insignificância? O que te basta afinal?

Amanheci ácido. E eu também tenho que me banhar nele.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ontem

Do que ouve, a sua música é:
"Faço as pazes lembrando,
Passo a tarde tentando te telefonar,
Cartazes te procurando [....]
[...] Siga onde vão meus pés,
Porque eu te sigo também [...]
Sim eu te quero também"

Do que ouve, a música é:
"A uma hora dessa por onde estará seu pensamento [...]
A uma hora dessa por onde andará seu pensamento [...]
A uma hora dessa por onde vagará seu pensamento [...]
A uma hora dessa por onde passará seu pensamento [...]"

Em mim há um aperto, um estranho aperto...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Nossas músicas

Somos duas músicas. Quem disse que isso pode ser errado? Elas falam a mesma coisa. Elas dizem o que um não diz para o outro. Elas são o nosso silêncio cantado um para o outro. São a ânsia de uma quietude que precisa ser rompida, transpassada pelo gesto que toque o outro, eu em você e você em mim.

Desculpe-me se cantei baixo e não pude te tocar com meu gesto, outros acordes abaixaran minha voz e abafaram meu coração, essa é minha vulnerabilidade, a minha terrível fraqueza exposta, entoei ela essa noite, e eu não a escondo, isso porque não quero te perder, consegue ver isso nos meus olhos bêbados? Estou tão cansado de procurar. Tão cansado, e dentro de mim diz eu achei, por que procuraria novamente, isso só me faria mal, eu te achei. Desculpe-me se cantei baixo para você esses dias e não pude te tocar com meu gesto. Mas eu me senti abafado, e isso fez mal a minha alma, ao meu cansado coração cansado, não por você e nem de você, mas da minha própria história musical, sabe quando você não quer ouvir outras canções por serem repetidas? quando você quer esta soada lindamente agora, não outra, nem procurar outra...

Eu quero você

sábado, 8 de janeiro de 2011

S

Você pode ouvir?

We'll do it all,
Everything,
On our own.

We don't need
Anything
Or anyone.

If I lay here,
If I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world?

I don't quite know
How to say
How I feel.

Those three words
Are said too much.
They're not enough.

If I lay here,
If I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world?

Forget what we're told
Before we get too old.
Show me a garden that's bursting into life.

Let's waste time
Chasing cars
Around our heads.

I need your grace
To remind me
To find my own.

If I lay here,
If I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world?

Forget what we're told
Before we get too old.
Show me a garden that's bursting into life.

All that I am,
All that I ever was
Is here in your perfect eyes, they're all I can see.

I don't know where,
Confused about how as well,
Just know that these things will never change for us at all.

If I lay here,
If I just lay here,
Would you lay with me and just forget the world?