quarta-feira, 30 de março de 2011

O que te disseram?

Não se preocupe, nada vai dar certo. Mas mesmo assim a vida irá te fazer sorrir, muitas vezes, tantas quanto forem necessárias.
Mas para rir, será preciso ver que nesse imenso nada, que falaram para você, há bem maior sabedoria: aprender com as dificuldades, superar obstáculos, tornar-se rico de espírito e outras coisas igualmente preciosas.
Bem verdade, conquistar esses tesouros exige muito esforço e dedicação, as vezes, além dos quais imaginamos. Ainda assim, a vida te fortalecerá e você saberá que é possível vencer.
E seguindo assim, ao final, você saberá que não importa o que te disseram, se foi: _Não se preocupe, tudo dará certo ou se falaram:_Não se preocupe, nada dará certo. O essencial mesmo é perceber que o caminho trilhado pertence a você, os outros no máximo podem te apontar uma direção e nada mais.

É você que tem a escolha de rir ou não.

terça-feira, 29 de março de 2011

Tira de mim a parte que resta, tempo
Pequenos grãos de areia, possuem pequenas arestas
Furam e penetram a fraca carne,

É na carne o suor, é na carne o sangue, é na carne o coração
Toda essa carne pode ser cortada, não em pedaços,
Se assim fosse, traria a faca, cortaria todas as partes
E elas mortas se decomporiam, não seriam mais nada, nem pó

Como não há pedaços
Restam minúsculos cortes, nesta carne, feitos pelo pouco grão que resta,
E como, na carne, são vivas todas as partes, todas possuem histórias,
Onde cada parte entende a sua maneira as expêriências vividas,

O suor por ser suor é efêmero,
O sangue por ser sangue é quente e jorra,
O coração por ser coração sente, exato, só sente, não pulsa

É pouco, bem pouco o que resta,
É um, no máximo dois grãos de areia
Mas leva de mim, tempo
Mesmo um único grão é muito,
Porque o pouco que há toca tudo: o suor, o sangue, o coração
E tudo sente

segunda-feira, 28 de março de 2011

Me distraio
Deixo acontecer
Se luzes se apagam
Vejo
O Sol nascer

Meu estandarte é a felicidade
Brindo
A Baco, a Dionísio, a Apolo
Saio e deixo acontecer
Eu me distraio

quinta-feira, 24 de março de 2011

Perguntas e repostas

Se pergunta o que fazer? Ir embora, junto com malas, retratos, passagens? Isso é o mais cômodo, o mais prático, o mais natural.
Se viajar sabe que irá sozinho, e será sem retorno, seguirá rumo ao novo caminho a ser percorrido. Nesse caso, para quem ficar, sim, sempre alguém fica, e para este restará uma saudade. Cedo ou tarde ela se apresenta aos que ficam. Ela cedo ou tarde tocará ao que ficar. Por que diz isso? Experiência própria. Exato, é o que ele justamente, sente agora.
Por isso se pergunta, devo ir?
Não responde. Todos reponderam sim. Ele se silência.
Sente que não é confortável onde está. Porque onde está não é o lugar que queria ficar. Está só. Sua solidão é egoista, as pessoas não podem retirá-la dele. Ela quer só ele. Ela deseja somente ele. Seus olhos, sua boca, seu corpo, seu sangue.
Sente o que sente porque está partido. Partido em duas partes desiguais. Parte quer ir. Parte fica. E é está que é maior, por ser maior, é mais forte nele.
Por isso não viaja. Vai até a estação, mas não embarca. A maior parte dele diz fica.

Texto Secreto

Tempo de segundos-minutos-dias, de meses, que daqui a pouco, ao se passarem, ao cotejarem, ao se derramarem, comporão ano e anos. Abismo reforçado por um silêncio inabalável, de mim, de ti, por desencontros meticulosamente articulados nem por mim nem por ti, mas por caminhos distantes, por uma insistente e incólume muralha. Não sonhamos mais juntos, nossas fábulas não existem, ainda que restem fotos, somente elas agora representam e guardam o antigo pacto, só lá, somente nelas é possível ver o passado.

Mesmo assim, na distância, palavras ainda ressoam, possuindo a força para erigirem um pensamento capaz de mover o sentimento, guardado agora secretamente, embora pensando que tais palavras nunca mais chegem ao seu destinatário, morrerendo consigo neste jardim secreto, decide romper com o silêncio, contrariando o destino, no esforço de deixar, ainda que seja apenas um simples registro, mesmo que lançado ao vento e sendo constrangedor, abre o coração, ainda que restando a separação sem remediação, e diz que é saudade o que sente.
O tempo goteja,
Cada gota agoa
Um tempo que não volta atrás,
Um tempo guardado no coração de alguém

Nesse alguém qualquer
É lenta cada gota que cai,
São eternidades
Vagarosas eternidades

O tempo é lobo silencioso
Só morde, morde, morde
Cada mordida é lembrança
Que doi a dor do aperto
Que doi o tempo guardado no coração de um alguém qualquer

O lobo não arranca pedaços,
Ele só trás lembranças, lembranças, lembranças
Ele só morde, morde, morde
Mas não é a carne, nem ossos, nem sangue
É o coração

Tempo por que me lembras do que devo esquecer?
Tempo por que preferes ser gota?
Tempo por que és esse lobo?

Tempo o que reservas para mim?

terça-feira, 22 de março de 2011

Um é ida, outro fica;
Um é contentamento, outro é constrangimento;
Um é passado, outro está presente;
Um é acerto, outro é tentativa;
Um aberto, outro aperto;

Em um dia de partida
Será isso que fica?
Na despedida
Será isso que fica?

sábado, 19 de março de 2011

Morre a flor,
Morrendo a flor,
Gera a semente,
Morre a semente,
Morrendo a semente,
Gera a plantinha,
E ela
Gera vida.

Transitoriedade,
Passagem,
O que é isso?
É a vida
O que é isso?
É ensinamento

sexta-feira, 18 de março de 2011

"Individualidade
Ontológica…
Ôntico
Ser…
Falta de ar,
Sufocamento…
Na multidão…
Ser autêntico?
Utopia…
Quotidianos
Manipuladores
A fazer
Perder-se
O indivíduo;
O Eu
No todo.
A essência
Quem vê?
Ser que ser?
A multidão,
Só há
A multidão…"

(Danclads Lins de Andrade).