terça-feira, 29 de março de 2011

Tira de mim a parte que resta, tempo
Pequenos grãos de areia, possuem pequenas arestas
Furam e penetram a fraca carne,

É na carne o suor, é na carne o sangue, é na carne o coração
Toda essa carne pode ser cortada, não em pedaços,
Se assim fosse, traria a faca, cortaria todas as partes
E elas mortas se decomporiam, não seriam mais nada, nem pó

Como não há pedaços
Restam minúsculos cortes, nesta carne, feitos pelo pouco grão que resta,
E como, na carne, são vivas todas as partes, todas possuem histórias,
Onde cada parte entende a sua maneira as expêriências vividas,

O suor por ser suor é efêmero,
O sangue por ser sangue é quente e jorra,
O coração por ser coração sente, exato, só sente, não pulsa

É pouco, bem pouco o que resta,
É um, no máximo dois grãos de areia
Mas leva de mim, tempo
Mesmo um único grão é muito,
Porque o pouco que há toca tudo: o suor, o sangue, o coração
E tudo sente

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