sábado, 15 de dezembro de 2012

Desconexões

Só curiosidade por corpos, cansa.
Há mais profundidade que a pele e o cheiro.
Descobrir isso e se encantar tem sido um mistério.
Quando essa conexão deixará o lugar mágico?
Quando o veu ira se romper?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nossos caminhos

Noite de sábado. Na saída com os amigos, a banda cantava velhas canções conhecidas, e o trecho da música "...sempre em frente, não temos tempo a perder" o fez lembrar: como é tolo alguém desesperar-se por querer seguir em frente. Nem sempre isso é o melhor a ser feito. Há momentos onde é necessário parar. Existe uma calma que precisa ser entendida, caso contrário, corremos o risco de atropelarmos os demais e a nós mesmos. Tocar a vida exige sabedoria, e esta pede reflexão e cuidado. Não se toca a vida como uma cachorra no cio, ou pelo menos não se deveria, temos um órgão pensante, a bem da verdade, alguns são mais prodigiosos, outros beiram a vergonha, são ignobéis. Para estes insensatos resta o desprezo e a indiferença, exatamente isso, porque a ignorância não torna a pessoa incólume as suas ações, o que você plantou você irá colher. Triste fim não acha? Ser engolidos pela própria mesquinheza de ter tocado a vida se esquecendo que era preciso parar por um minuto, porque somente assim se saberia como seguir em frente. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Lugar secreto

Abriu a antiga porta. Por trás um jardim, escolhido para ser o seu recondido, um lugar secreto, desconhecido por todos e era preciso ser assim, ali era um local de morte. Adentrava, ouvia o cântico de pássaros, cores calidas cintalavam na paisagem, as flores sempre abertas exalavam um cheiro doce acalentador, o caminho era suave até chegar a fonte d'água. Ritualístico, vestiu-se de luto. Nas mãos pedras preciosas, estranhamente estava ali por causa delas. Elas se tornaram pesadas demais, já não podia com a carga de tão pequeníssimas pedras, elas possuem o peso de lembranças, o peso de uma alma. Carregá-las consigo era o mesmo que levar uma pessoa inteira sobre suas costas, não podia mais. Decidido dar fim a tudo, entrava no jardim, a morte estava em cada canto ali, embora, tudo permanecesse assombrosamente vivo, das plantas aos pássaros, do sol as águas das fontes, tudo era vivo. Morrer ali não significava findar, era tão somente permanecer exatamente igual até ser esquecido. A morte era o próprio esquecimento. E ele entrava naquele exuberantemente jardim vivo, e lembrava que tudo naquele lugar estava ali por ele trouxe e deixou tudo ali. Quanta coisa preciosa já foi preciso deixar, para que lá fora eu pudesse permanecer vivo, estranhos paradoxos da vida. E estava mais uma vez, pelas mesmas razões de sempre, mas um valioso tesouro precisava ser esquecido, seu brilho admirável nunca mais poderia encantá-lo porque naquele lugar não havia a quem encantar, o seu admirador já não existiria, e o seu brilho seria igual aos dos outros. Ristualístico, estava de luto, porque parte dele era despedida, porque parte dele era silêncio, deixou as pedras e retornou porque já não tinha o que gotejar, porque ele precisava não se esquecer de viver.