terça-feira, 25 de novembro de 2014

Incompreendidos

Pego por um movimento circular, intenso. Entrou. Não fugiu. O vórtice aumentou. Cresceu. Engoliu. Engolia tudo.  E ele foi, e ia, ele ia, sim ele foi. Tudo era novo. Tudo. Mas o rápido movimento, não era só rápido, também era lento. No final não era só o movimento era o cotidiano. A rotina. O não movimento. O repouso. O está. A quietude. A paz. Mas nem só de paz se vive. A guerra também existe, até resiste. Resistente foi a guerra. A paz é externa. A guerra é interna. 
Há incompreensões que resistem. Há muitas dúvidas que persistem. Ele corre, pula, dança, corre novamente. Quer entender. Ele quer. Gira um movimento circular. Mas dessa vez não é circular, é uma reta, com um muro fechando a rua. Ele não corre. Ele não sai. Ele está. Aqui. Restam novamente as palavras incompreendidas. Restam o silêncio. Restam pensamentos. Restam. Restos meus. O que fazer com tanto que não pode ser dito? Restando ainda silêncio, distância, medo. Restou muito disso. Medo. Estou com medo. Tenho medo. Tanto. Medo de não dizer mais nada, medo de me calar, de fechar parte de mim que quer falar. Se vai ouvir? Não sabemos. Se vai servir? Não sabemos. Nunca sabemos. Eu sei. É isso, medo de não ser ouvido. Esse sim é também meu medo. Mas talvez eu não fale mais. Talvez, apenas. De muitas coisas que sou, sou a confusão, sou a incompreensão. Talvez por ser isso. Eu falo assim. Apenas assim. Para ninguém me ouvir.

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