quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Minha oração

Rogo sentir frio, calor, chuva, mormaço, calafrio, agônia, ilusão, amor, arrependimento, tesão, arrepio, medo, coragem, entusiasmo, esperança, pânico, dor, anseio, angústia, liberdade, felicidade, tristeza, fé, descrença, bondade, desprezo, ódio, ira, altruismo, caridade, verdade, falsidade, e tantos outros que não passam pela mente agora, mas estão aí para serem sentidos todos os dias, basta não sermos covardes

Mas a um que não quero, a indiferença; por que não sentir é não viver...

Orar para que? Para poder sentir que eu posso mudar; eu ainda sou o mesmo indiferente de sempre, mas agora há uma diferença ela já não é mais minha proteção, meu escudo, minha amiga, antes se tornou inimiga, e eu a tenho abandonado a medida em que deixo a covardia e vou vivendo, mas isso tem sido a pequenos passos, admito, não por falta de vontade, mas por eu ser inexperiente em algo tão comum ao ser humano, ou melhor, somente naqueles que considero evoluídos e dotados de um espírito iluminado, as incertezas do coração; dores e alegrias que qualquer um que optou pelo caminho da indiferença teme acima até mesmo da morte, mas se esqueceram que não sentir é não viver, e por isso seus dias aqui acabam sendo de morte, mesmo que se diga feliz, vive apenas preso a ilusão de se sentir mais forte que os demais, simplesmente por não chorar, lamentar e se arrepender; se vê superior mas não passa de um ser humano menor que os demais, e desconhece que um dia lamentará, chorará um choro amargo e profundo, e se arrependerá por justamente ter sido incapaz de sentir.

Falo do que vivi e digo que sou o mais felizardo dos homens, porque da ilusão da indefença bebi e me embreaguei nela, talvez por isso experimentei logo dos seus efeitos perversos, o endurecimento do coração, a ausência profunda de afeto aos outros, e então a superioridade mostrou a sua verdadeira feição que é vazia, assim como é a vida de um indiferente; disse que sou bem-aventurado, não por acaso, porque pude ver a tempo que eu estava morrrendo, e isso foi como abrir os olhos e ver que eu estava em trevas; agora corro em direção a luz e estou me acostumando a ela, por isso tropeço e caio nos seus caminhos espinhosos... [mas existem muitos jardins e eles só podem ser vistos quem está de olhos abertos]

E eu ainda oro porque a fé e a esperança não morreram em mim, e elas dizem que eu posso ser melhor...