segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dramático

Podemos nos encontrar? A resposta foi o silêncio. Como bom entendedor, soube o que isso significava, ainda assim, permanecia inquieto. Saber e aceitar são coisas distintas para o coração. Entendia. Seus defeitos cardíacos estavam todos aparentes. Ansiedade. Impaciência. Possessividade. Era capaz de descrever minuciosamente. Esmiuçava compulsiva-obsessivamente seu complicado órgão pulsante. Tentativas de desamar nós, eram feitas. Procurava a catarse do personagem inventado. Queria se desvenciliar das suas criações pela via mais dramática. Colocar cada palavra sentida diante da sua figura. Gritando. Vertendo. Sangrando. Perder-se desta forma, adiantaria? Friamente se reorganizava. Tendões tensos relaxavam. Uma quietude inquietante o envolvia. Flashes entorpecedores. Novamente. Novamente. Novamente. Turbilhonamento de sensações. Despedida e presença o confudem. Alegria e tristeza se fundem. Louco. Segue em frente. Apenas segue. O caminho já conhece. Para disfarçar colocou uma máscara de alegria. Sorri. Sorri. Sorri. Não sabe até quando. Realmente não sabe.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Melhor escrever

Melhor escrever. O que exatamente? Não sabe. Está sem versos, prosas, está só. Na realidade, ele tem alguém, só não quer admitir. Por que está pessoa existe apenas para ele, mas não se engane com essas palavras, achando ser um caso de esquizofrenia. Me refiro a alguém de carne e ossos. Já se encontraram e se apaixonaram. E como tantas outras vezes, tudo durou a brevidade de um encontro. Como algo tão efêmero pode trazer tantas lembranças, se perguntava. Sentia. Não são memórias que emergem, são vázios que espreitam, ocos enormes que pulsam, tentáculos de nada que se estendem... para onde, por quem? Você. Existe. Resiste. Permanece. Aqui. Os pontos foram colocados paradoxalmente como uma continuação de nossa história. Foi você mesmo que disse: a nossa 'relação' terá o desfeicho que nós decidirmos. Recordava. O medo não foi a pimenta dos encontros. Lembrava. O perigo é o estímulo dos amantes - rapidinhas fazem parte da trama -. Lastimava. O medo foi a morte. Veneno. Amargo. Intragável. Apenas um bebeu, e alguém terá ido ao seu funeral? A outra parte vive a medida do possível sem outra parte que possui uma outra parte. Partidos foram os laços. Sem despedidas. Você. Existe. Resiste. Permanece. Aqui. A morte não te tragou de mim. Tuas cinzas eu carrego. Qual melhor jeito de se fazer isso? Lançá-las ao vento ou guardá-las no meu jardim... A resposta é o silêncio. Você deu essa resposta. Silêncio. Mentira. Eu minto. Restam ecos. Ressonantes sons do passado continuam. Uma voz. Um sorriso. Um rosto. Permanecem intactos. Suspira. Há uma imagem reticente, insistente, ausente. Melhor. Ele inventou um outro para ele. Esta é sua história. Poema-prosa de pontos finais.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Seus impossíveis amores

Saia mais uma vez de casa, apesar do cansaço, seu sangue corria acelerado, e a noite o assediava, fraco não resistiu, fez as ligações de sempre e foi. Ansioso, chegou mais cedo que os demais, teve que fica esperando. Então você chegou, nossos olhos se encontraram. Algo diferente em mim aconteceu, eu quis permanecer te olhando. Meus amigos chegaram e você se aproximou. Tive que falar com eles. E dentro de mim eu dizia fique, fique, não vá. Você nos acampanhou e eu estava sem jeito, chegando ao bar você se apresentou, e eu me alegrei. Nos beijamos e, diferentemente, eu quis me deixar ser decifrado. Você falava coisas que eu não entendia, eu ficava rindo. Tivemos que nos despedir logo,  mas a noite realmente tinha valido, só por sua causa.

Amanhecia mais uma vez, e despertando, seu primeiro pensamento era voltado para as estranhas palavras que aquela pessoa havia falado, e elas ressoavam dentro dele e ele as repetia tentando aprender o que elas diziam. Sabia que algo diferente havia acontecido, por que as palavras permaneciam. Sentia-se um bobo por guarda-las, mas mesmo assim as guardou.

Se passaram mais alguns dias. Foram se encontrar. Tinham o mar, a brisa, uma música, uma estrela, e novamente um ao outro. Você havia preparado tudo. E eu sorria.

Eu sorria para você, mas dentro de mim, eu ja gotejava, uma gota que não caiu diante dos teus olhos, mas vertia em mim, eu mostrei a minha felicidadade, mas ela não é duradoura, ela é exatamente, o mesmo tempo que você cantou as nossas músicas ao meu ouvido. E eu sorria, por que fingia para mim que você não estava indo embora, quando na realidade estava. E eu sei que você não queria ir, apenas precisa ir. E eu dizia na vida não temos tudo o que queremos, e dentro de mim eu gotejava, por que essas palavras se voltavam contra mim mesmo. E eu sorria diante dos teus olhos. E eu sorria dentro dos teus olhos.

Hoje, eu ouço nossa música aqui sozinho em minha casa. E eu daqui de casa te procuro como posso, já que eu não posso te ligar. Confesso que por causa disso já estou quebrando o nosso trato de deixarmos as coisas seguirem naturalmente o rumo, me desculpe, eu tenho minhas fraquezas e elas gritam, não consigo contê-las e eu acabo gritando também para não enlouquecer.

Me desnudei, eu precisar dizer que estou aqui, me desculpe. E não se preocupe vamos contuar naturalmente seguindo o rumo das coisas.


Continua...