sexta-feira, 20 de abril de 2007

Minhas vidas: entre o sagrado e o profano

Apesar da breve história que se segue ser irrelevante, aconselho a cautela na leitura, pois ela poderá reservar surpresas, dentre uma, já posso citar o simples fato de falar mais abertamente sobre mim. Isso para muitos já é motivo de espanto, acostumados com o meu silêncio, agora terão que aturar meu falatório, pois me alongarei ao máximo no texto, para assim, quem sabe, vencer o leitor desavisado, tendo assim como único adversário eu mesmo, ou melhor, a minha memória e vontade de escrever, além da companhia daqueles que conseguem ver além dessas palavras.

Minha história não será contata pelo transcorrer dos dias, meses e anos, antes pelos momentos vividos por mim, terá meus sentimentos, emoções e vícios, meus erros e acertos, isso por que quem falará será minha alma, ela será a guia das minhas palavras, e pensar que, algum tempo atrás, eu a tinha como adversária, sorte agora tê-la novamente como amiga.

Minha vida começa, exatamente, aos 10 anos. Não pense que me expressei errado, pois não me refiro a vida contida no sangue, carne e ossos, essa começou sei lá aonde. Falo de uma outra, escondida de muitos ainda, que aconteceu por acaso [se que isso existe], e que explodiu dentro do meu coração, bem no centro das emoções e sentimentos, como disse Feuerbach: foi uma experiência subjetiva e individual. Ela fez meus olhos se abrirem para uma nova realidade, que antes era desconhecida por mim, uma vida supra-racional, além dos domínios da razão. Mas adianto, muitos consideram isso verdadeira abominação ao próprio homem, pois julgam que quem vive assim nega sua própria natureza, tornando-se uma pessoa acomodada, incapaz de se aventurar na vida, de mergulhar na profundeza do desconhecido, para estes, quem decide viver pelo sobrenatural optou por morrer nesta vida.

Eu fui um desses, que decidiu perder esta vida. E não pense que fui persuadiado a fazê-la, eu fiz isso sozinho, sem ninguém por perto, ou melhor, havia pessoas sim, mas não era do interesse de nenhuma delas eu fazer isso, pelo contrário estavam todos preocupado em outra coisa bem distinta, preocupavam-se com o jogo, com a bola. Você não leu errado, eu estava numa pelada com meus amigos quando minha vida mudou. Apesar da emoção do jogo, algo chamou-me mais atenção, o cântico de pessoas de uma igreja vizinha ao campo onde eu estava jogando. Aquelas vozes me atraíram e, de repente, parando para ouvir melhor e me aproximando do muro da igreja, me vi sozinho, mas não somente eu estava ali, alguém muito maior do que eu também estava, não podia ver, mais era capaz de sentir a sua presença e ela me completava, me trazia tanta paz, amor e alegria, que minha reação foi chorar de alegria, de muita alegria. Meus amigos assombrados perguntavam o que estava acontecendo comigo, eu sorrindo e com lágrimas no rosto disse que meus olhos tinham sido abertos e que era, naquele instante, a pessoa mais feliz da terra e decidida a crer na fé e no sobrenatural. Como eu disse, minha vida mudaria neste dia, mas nem tanto pela experiência que tive, apesar dela ser estopim de muita coisa, e sim, pelo o que eu faria com ela, se eu a tomaria para mim ou não. Mas este pensamento é atual, dos meus 26 anos, 11 meses e 20 dias, por isso até ele chegar, ainda tem muita história para ser contada.

Voltando aos meus 10 anos..., havia então tomado a decisão de seguir em frente com a minha experiência e de aceitar as suas consequências. A primeira delas, parecia uma contradição, deveria morrer e nascer todos os dias, isso porque para se ingressar na fé certos hábitos devem ser deixados, para que outros tomem lugar. Fiz tudo de boa vontade, pois havia satisfação em tudo que realizava, ainda que fossem sacrifícios. Para mim, tudo se resumia em passos necessários, para que a nova realidade se descortinasse diante dos meus olhos e a antiga se desvanecesse. O que me encorajava a ter ânimo constante na ortodoxia da fé era a paixão e o amor. Sempre eles ardiam em meio peito e me impulsionavam a ir em frente, a superar-me, a transpor todas as barreiras. Por causa da paixão e do amor foi fácil seguir nesta vida nova, pois estava enbebedado por eles, sendo incapaz de discernir outra coisa senão a fé. Meu mundo se resumia ao sobrenatural.

"[...] Quando criança pensava como criança", pena não continuar na ingenuidade, pena passar logo depois dela pela adolescência. Na infância, julgava eu, não ser possível ter duas vidas, já na adolecência a conversa foi bem diferente, poderia não apenas ter duas, mais quantas eu quisesse.

Acontecesse o que acontecesse, a vida do sangue, da carne e dos ossos continuaram, e aos 11 anos os sintomas da adolescência já se apresentavam, e junto com eles, mudanças começaram a ocorrer no corpo e, principalmente, na mente. Ela agora era confusa, incerta, capaz de gostar e desgostar de qualquer coisa, sem qualquer razão aparente. Tornava-me, aos poucos, um aborrecente, nem tanto aos meus pais, mas principalmente da fé. Ela sim, foi o alvo destas mudanças rumo a outra "nova" vida. No entanto, o amor e a paixão pela crença continuavam, mas eram diariamente encobertos por eros, pelos hormônios e outras coisas. Passei a fletar com os apetites da carne, com a concupiscência dos olhos, com a loucura da vida, nem a razão e o ocultismo escaparam. E todos estes inimigos da fé, passaram a andar comigo, não como meus amigos e sim como colegas de farra.

O fascinio de descobrir novas cores, cheiros e sensações me seduziram e encantaram, já não era mais fiel a fé. Ela estava agora somente na memória, como o meu maior amor, aquele que nunca esquecemos e nem será superado, e que se pudessemos voltariamos ao passado para resgatá-lo, o amor que não morre, mas que de alguma forma nos distanciamos dele, por mais perfeito e agradável que ele seja, por mais completo que ele nos faça.

Infelizmente se cumpriu em mim a profecia que diz: "[...] que seja eterno, enquanto dure."

A separação não foi imediata, foi lenta, demorada e dolorosa, principalmente, para mim. Não queria deixar a fé, mas se eu já era capaz de trocá-la por qualquer outra coisa, por que continuar junto a ela? Fazia essa pergunta diariamente, até que no final de minha adolescência, no fim dela mesmo, cansado de indas e vindas, eu abandonei a fé de vez e estava decidido a nunca mais querê-la, nem por intervenção divina. Mas a vida me aprontaria uma "peça", ou melhor, uma reconcialiação.

Exatamente, logo depois de um ano, estaria de namorico com o meu grande amor. Mas o retorno não foi fácil, estava muito habituado a minha nova vida, livre de satisfações exigidas pela fé, por isso fugi dela com todas as minhas forças, mas ela não desistia, continuou atrás de mim, ou melhor, não exatamente ela, mas sim uma de suas secretárias estava sempre no meu encalço. Até que um dia não pude fugir. A sua secretária tinha entrado na minha casa, e eu no meu quarto dormindo, fui acordado com aquela voz tão bem conhecida. Disse para mim:"_Ficarei neste quarto, até ela sair". Passou minutos, horas e a secretária continuava conversando com minha mãe, pois elas eram amigas. Cansado de esperar, eu abrir a porta do quarto, e saindo ao encontro desagradável disse, sem vontade, um "oi e que estaria ocupado, estudando para o vestibular", demonstrando que não estava nem um pouco afim de conversar com ninguém. Não se passaram cinco minutos, para minha mãe me chamar; comecei a sentir raiva, não dela mas do laço que se preparava para me prender. Logo que cheguei, para minha surpresa vejo a fé sorrindo, dizendo que gostaria de falar comigo e que não saíria de minha casa sem conseguir isto. Eu disse"_ Tudo bem". Para mim restou-me o medo, sabia que suas palavras tinham o dom de me enfeitiçar, ela sabia mais do qualquer outra pessoa tocar o meu coração e me persuadir. Mas ia tudo bem; conseguia dizer não a todas as propostas lançadas por ela, menos uma, que foi a minha perdição. Quando eu disse um sim sem querer e ela foi logo, ardilosamente, me pegando pela palavra, dizendo que se eu fosse homem deveria cumprir com o que tinha dito, ir na casa dela. O problema não estava neste simples aceitar, e sim, em mim, pois eu tinha dito para mim mesmo que se porventura eu falasse um sim a fé, eu voltaria para ela, ainda que eu tivesse que morrer para mim mesmo. E assim, lá estava eu reencontrando o meu grande amor e como tenho o coração mole sabia exatamente onde isso iria dar. Um mês depois, estava eu, na casa do pai dela e, no dia seguinte, fui ter uma conversa séria com a fé, pois eu queria saber que rumo a minha vida tomaria, já que eu não era mais nenhum menino e não aceitaria sentimentos volúveis em mim. Em resumo ficou acertado que me comprometeria a ser fiel a fé, e foi exatemente assim, até que...

Até que se passaram 7 anos...

Mas antes desse tempo todo, os primeiros meses foram fascinantes. Ela não era mais aquela menina boba, ingênua, que tagarelava sem parar, querendo convencer todo mundo que somente ela estava certa, acostumada a falar dos outros, pelo simples fato de vestirem roupas diferentes, por fazerem coisas que ela julgava inapropriadas. Tudo isso parecia ter passado. Enfim, eu e ela estavamos mais maduros, passamos a desejar algo mais excelente, além de falatórios vãs, queriamos um relacionamento excelente. Sabiamos que não seria instantâneo, mas estavamos dispostos a construí-lo juntos. Neste tempo de reconciliação me empenhei para dar certo. Estudava, viajava, madrugava, participava. Fazia tudo em pró da edificação da fé e me sentia bem com isso, até que... as primeiras crises surgiram. Estas não tiveram origem em traições, cometidas por mim, como tinha ocorrido no passado. Elas surgiram, porque o amor que sentia se esvaneceu rápido, restando apenas a rotina do trabalho religioso. Deste momento em diante passei a lutar comigo mesmo, para manter firme o juramento que havia feito a mim mesmo, de não abandonar a fé se eu me reconcilia-se com ela. Manter firme esta palavra me vez alvo de muitas coisas e, principalmente, fragilizou minha identidade. Isso porque eu comecei a esconder parte de mim, e por conseguinte, resultados desastrosos ocorreram, um deles foi ser julgado como louco, esquisito, solitário ou, quando muito, de poucas palavras, no entanto, preferia que me vissem assim, já que a visão que eu tinha de mim mesmo era bem pior que essas más-interpretações. Para mim... eu era... como dizer? Digamos assim: quando alguma pessoa se aproximava a mim, eu colocava máscaras. Elas escondiam a minha farsa, minha incapacidade de amar a fé como antes, com um amor prazeroso, intenso e verdadeiro. Colocava máscaras, para ninguém ver minha confusão, pois quando não havia alguém me observando, eu tratava a fé com indiferença e desdém. Sete anos já se passavam, minhas crises persistiam, e em meio a elas, tomei uma atitude impensada, semelhante a ilusão de quem não quer ver seus erros. Julguei que o meu comportamento confuso, ocorria em virtude de eu ter me habituado a usar máscaras diante daqueles que me conheciam, e para solucioná-lo bastaria que me mudasse de local, que eu fosse procurar novos ares, onde conheceria gente nova e que, por isso, não precisaria mentir para elas. Já tinha em mente até onde seria minha nova morada, havia até realizado algumas visitas ao local anteriormente, mas tudo isso foram apenas devaneios. Certo mesmo, foi a minha saída para um local que até hoje procuro.

Reconheço que optei pelo caminho mais longo, para algo tão simples. Entenda, eu me encontrava despreparado para deixar a fé novamente. Por isso a saída em procurar um novo lugar significou uma fuga de mim mesmo, pois o medo de reconhecer meu desejo de separar-me dela era insuportável para mim naquele momento. Precisava ganhar tempo, para encontrar uma forma de fazer isso pacíficamente, sem que eu ficasse com a consciência pesada, por ter deixado um ente tão querido. Fugir foi uma maneira de ganhar esse tempo para mim, embora tenha feito isso inconscientemente, eu o fiz sem exitar.

E tempos depois, decidi deixar de conviver com a fé. Ela passou a ser minha doce lembrança dos tempos de infância.

No fim como a corda arrepenta do lado mais fraco, eu fui o arrepentado. Saí desta relação sem identidade, não sabia mais quem eu era, quais meus gostos, nada havia sobrado de mim. Ficou apenas a mistura rala, entre as idas e vindas das minhas vidas. Passei quase um ano assim, vegetando no mundo, andando de um lado para outro sem rumo certo, habitando apenas um quarto escuro, iluminado quase sempre pela tela da tv. Sentia minha mente atrofiando, sentia a morte, não do corpo, mais das minhas vidas, pois neste período, eu não era mais da fé e nem do mundo, eu era de ninguém.

Mas a vida do sangue, da carne e dos ossos continuam em nós, vamos crescendo... mesmo que forçados a isso. E nesta batalha pela Vida, deixei então que ela me conduzisse. E para permitir isso, foi preciso que eu tomasse a decisão mais difícil para mim, deveria ser sincero comigo mesmo, não poderia mais mentir para mim. Tarefa quase intrasponível essa, por que agora eu não tinha a fé para me ajudar, restava apenas eu e pela primeira vez me olhei no espelho. Pude ver então graves erros meus, dentre eles a indecisão e a facilidade para sujeição. Assombrei-me, mas assombrado não poderia ficar. Levantei-me e fui atrás de socorro, sem saber a quem procurar. [Antes era a fé que me socorria, seja qual fosse a situação. No entanto, agora, eu estava sem conviver com ela, não poderia chamá-la para ajudar-me]. Procurando, percebi que não precisava de ninguém. O que eu necessitava, já tinha, estava em mim. Minha vontade e razão eram os remédios. Tomei-os. Tinham gosto amargo e foram suficientes para curar-me.

Agora, eu tenho minha própria vida, seja acertando ou errando, seja fazendo o que for, ela é minha. Consigo saber quem sou. Tenho meus defeitos, mas aqueles antigos, quase não se apresentam mais. Estou racional e muito feliz por isso. Tenho paz comigo e durmo todas as noites bem. Tenho, agora, amor próprio.

E quem sabe, me amando, eu encontre o meu grande amor perdido?

P.S - Se hj sou ateu? De maneira alguma. Apenas descobrir que existem coisas que são de competência do homem. Situações que somos responsáveis por elas acontecerem e, por isso, somos nós que devemos resolvê-las. Com isso não quero anular o Divino. Quero apenas quebrar a ilusão que construímos, ou melhor, a mentira, que criamos para que não vejamos nossas responsabilidades sob nós mesmos, e por conseguinte, sob nossos sentimentos, nossas ações e resultados que isso trás para nós e para os outros.

Resta-me duas coisas, a primeira é: a fé resiste a todas as provas. A segunda é, enquanto, a vida do sangue, da carne e dos ossos continuarem, muita coisa pode acontecer.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Festa

Ela pode ser na praia


Ela pode ser no campo


Mas deve ter contato com a natureza


Deve ter psicodelia



Deve ter arte,


Loucura


Deve amanhecer


Deve anoitecer


E deve ter uma galera estigada que curta
a noite


e o dia


Quem já foi sabe bem o que falei.





sexta-feira, 13 de abril de 2007

Psicanálise

S0nhei que reencontrava amigos de infância, da época da escola quando eu corria pelo pátio. Estavamos indo para Ribeira, descendo pela rua lateral do colégio Salesiano, justamente, um trecho que durante a minha infância foi percorrido diariamente, pois era meu percurso para pegar o ônibus, no retorno para casa, quando saía do colégio.

Mas o cenário não era mais o mesmo deste trajeto tão bem conhecido por mim, estava completamente diferente daquele do meu passado, tudo era underground, as pessoas, as casas, o cheiro, o muro, tudo tinha um aspecto novo para mim. E foi ai que reencontrei, ela e ele, os meus melhores amigos de infância. Todos nós iamos para a Ribeira, mesmo sem termos combinado nada, até porque, já faziam 15 anos que não nos viamos, mas lá estavamos para ir a Ribeira.

Descemos, juntos, a rua e em frente ao colégio Salesiano, falei para ela que lembrava-me do tempo da escola, quando brincavamos da "brincadeira da caneta". Imediatamente, como se antevesse minhas palavras, ela respondeu: "_vamos fazê-la novamente aqui". "_Ponham seus dedos sobre o papel", ela continuou. Eu respondi que era cristão, mas não teve jeito, tinha posto o dedo para participar da consulta aos espíritos.

E, para minha surpresa, apareceu um, feio como o cão chupando limão, na realidade, era um espírito de uma bruxa. Eu a vi e, estranhamente, não a temi, pelo contrário fui confrontá-la. Segurando firme nos seus braços, gritei para sair da minha presença. Se ela saia ou não, num sei, porque eu acordei logo em seguida, na mais perfeita paz, igual a tenho sentido nestes dias.

Falar desse sonho é dizer um pouco de mim. Ultimamente, tenho experimentado coisas novas, como mostrava a antiga rua que agora era underground, sem medo tenho me lançado, em descobertas a meu respeito e aquilo que antigamente tinha um significado, hj tem outro completamente diferente. O reencontro com meus amigos é um reencontro comigo mesmo, uma pessoa alegre, de paz, sem medos que imobilizam, livre! A bruxa, são meus fantasmas, meus demônios, que agora não os temo, simplesmente devo enfrentá-los. A Ribeira é minha nova história, mas nela tem uma parada de ônibus, então me pergunto continuarei nesta trajetória ou votarei para casa?

E eu achava, que onde estou, não me traria mudanças, mas elas têm acontido no silêncio da minha alma, q assim seja.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Ser ou não ser

Ora defensor do cristianismo,
Noutras, escrachando com ele, denunciando seus erros já conhecidos por muitos
As vezes, simplesmente ateu

Ora mundano
Noutra, santo
Isso em pleno século 21!
Nasci no período errado da história
Sou do Barroco

Sou semelhante à Frankstein
Formado por partes de pedaços tão distintos
Um e outro, me formam
Costurado pela necessidade de manter um ser unido
Mas ele está em conflito

Resta-me o fogo, como apaziguador das minhas guerras internas
E como luz para o meu espírito
Por isso tenho preparado uma fogueira
Nela arde o fogo de Feuerbach
Espero ser derretido por ela, até que se forme uma liga
das diferentes partes do meu ser
Caso eu não derreta, entrarei então na fornalha
de Nietzsche e Sartre

Mas a um problema
Ainda que eu passe pela fornalha,
aumentada sete vezes mais
Mesmo que eu me liquefaça devido o calor
sei que viverei como Frankstein,
Pois, existem coisas que simplesmente não mudam

Pq isso?
Não sei a resposta, ou melhor,...
Preferiria não falar, mas tenho que escavar esta caverna
Por medo e insegurança, são as respostas imediatas da minha mente

Mas existem outras, que surpreendentemente, são encontradas por ai, basta você procurar, como por exemlo, no filme Shrek II. Observe no desenrolar da estória da princesa, que ela, no final, prefere ser ela mesma, ou seja, ela não muda, mesmo podendo fazer isso.
Talvez, eu tb não precise mudar, ou melhor as mudanças devem ocorrer quando for uma necessidade interna e não por causa de pressões, puramente, externas.

Obs: Se não gostou da comparação, só tenho a dizer que não estou aqui para fazer lucubrações (cogitações profundas) e relações complexas, a minha mente não me permite. Por isso, tive que desenvolver outras habilidades, como encontrar respostas em simples observações. cego não enxergar isso

terça-feira, 10 de abril de 2007

Dizeres

Fui brigar com Nietzsche
Não achava justo o que ele dizia
Enganado, que, estava, eu,
Fui pego de surpresa
Um direto no meu estômago
Fiquei sem ar e, fraco, cai no chão
Voltando logo a consciência.

Mas ainda, não satisfeito, fui puxar confusão
Mesmo Nietzsche estando, agora, acompanhado
de Feuerbach
Disse eu:
D'us vive
E há
Cruzamentos entre as paralelas da razão e da fé

E disse Nietzsche:
Deus morreu, eu o matei
E Feuerbach, completa:
D´us é as representações do homem

O que fiz?
Fiquei na minha, ora.
Afinal, já sabia da força de Nietzsche
e a de Feuerbach não fica atrás...

[Voltei a me sentir atordoado com aquelas palavras
e desmaiei
]
Sinto uma mão me ajudando a recobrar a consciência...
Era Feuerbach, dizendo:
Não sou contra sua crença
Só não tolero a mistura entre filosofia e fé, ciência e fé
E vocês sempre buscam isso

Minha reação:
Não preciso da sua ajuda
Tenho meu próprio orgulho
E posso me levantar
[Enquanto isso meus pensamentos são]
Vão pro inferno
Vocês
Vão todos pro inferno
[Essas palavras me trazem gozo]

[Segue o riso de um louco]
Huahauhauuahaua....

[Conversa entre Jesus e D'us]
Enquanto isso no céu:
Yeshua* diz:
A razão é mais sensata que a fé
YHWH** ouvi e diz:
É uma pena que ela não goste muito da gente

[Acordo gritando]
Ahhh!!!!
Que sonho mais louco
Acho melhor eu ir ler a bíblia

[Acordo gritando]
Ahhh!!!
Que sonho mais doido
Sonhei que tinha acordado no sonho
Acho que meu subconsciente foi afetado com as aulas filosofia

[Acordo gritando]
Ahhh!!!!
Que sonho mais louco
Sonhei que tinha acordado, mas estava dormindo, só acordei agora
Acho melhor eu ir tomar um copo de leite
Amanhã tenho que ir malhar, logo cedo

[Acordo surpreso]
Ahhh!!!

Agora você decide, você mesmo
A vida é sua
Não estou aqui pra dizer nada
Alias, tenho sim:

Aproveite a sua vida,
Curta a sua vida,
Da melhor forma que vc achar
Não segundo o que outros dizem
Seja santo ou não
"Quem é santo, santifiquisse mais,
Quem é sujo, sujisse mais"
Mas não se esqueça as suas ações trarão resultados bom ou mal
Pra vc ou pros outros, próximos ou distantes

Por último:
Naquilo que você é, seja de verdade
Porque eu sou morno
E infelizmente este, sim
É vomitado por qualquer um.

Notas de rodapé

* Yeshua é a transliteração do nome de Jesus do hebraico para o portugûes.

** YHWH do original em aramaico, é um dos nomes de Deus, que na realidade não possível tradução, apenas um sentido abstrato de sopro.


domingo, 8 de abril de 2007

Estranhamento

De vez em quando tenho uma sensação estranha, e quando ela surge simplesmente perco a minha noção de pertencimento, exatamente, deixo de ter um lugar, ou melhor, começo a sentir estranheza de onde estou, como se eu nunca tivesse criado "laços" com tal lugar, no entanto, eles foram criados, mas simplesmente deixo de reconhecê-los como meus.

Acho que esse estranhamento deve ser uma doença, cuja causa seu exatamente a origem. Durante muito tempo fui uma pessoa indecisa, volúvel, não em relação aos meus relacionamentos, e sim, num âmbito mais pessoal que envolvia minha fé e meus anseios. O resultado disso é que vivi como um homem no Barroco, ora se santificando, ora na devassidão.

E agora, acontece, de eu ser um careta que não suporta caretice, isso resume bem minha sensação. Afinal, quem me entederá?
Resta-me procurar o remédio que acabe com o meu estranhamento, espero que exista... embora começe a achar que não.
E se eu realmente não achá-lo, será que voltarei para o período Barroco em pleno século 21, [isso sim é um atraso considerável...], logo eu que amo a contemporaneidade

sábado, 7 de abril de 2007

O observador

Será que encontrarei o que procuro?


Estou tentando ver, onde outros não vêem
Mas há um problema sou míope


Mas como sou insistente,
Uso uma lupa

Palavras

Gostaria tanto de dizer as palavras certas nos momentos certos.
Há se eu pudesse ler os tempos e as estações da minha vida, então assim como os homens vazem previsões, eu também poderia fazê-las para tomar um caminho direito neste mundo. Minha vida seria mais tranquila assim, teria as respostas antecipadamente. Mas sou um homem comum, não sou profeta, restando-me apenas a imprecisão dos eventos desta vida, para me orientar nas decisões que devo tomar.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Yin e Yang

Yin e Yang,
Não é Nova Era
Mas você desatualizado que é
não viu,
Que Fritoj Capra desmistificou
Aquilo que para alguns representa:
Todo mau tem o bem,
Todo bem tem o mau
Mas você desatualizado que é
Não viu,
Que Yin e Yang são opostos que se complementam
Há se você tivesse olhos para vê
Fritoj Capra dizendo
Então você seria curado
Da sua cegueira branca como a neve
Saíria da luz ofuscante
E saberia que depois do dia
Vem a noite

Yin e Yang
Não é Nova Era
São opostos que se complementam
Ah! Se pudesses entender estas palavras
Teu mundo seria como um calendoscópio colorido
e não branco, igual a tua cegueira
Poderias dialogar com Capra, Dostoievski, até Nietzsche
Quem sabe, com qualquer um
Mas você prefere ser cego só porque vê tudo branco

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Dilema

A minha guerra não é pelo derramar de sangue, antes é pelo embate de idéias.

Propus a mudar-me para ser o precussor de uma nova geração capaz de caminhar entre a fé e a razão [através de cruzamentos entre essas duas paralelas], para tanto sabia que era necessário declarar guerra contra velhas estruturas de pensamento, começando por aquelas em mim.

[Por causa desse ideário me rebelei ou melhor mostrei quem eu era, mas não para as pessoas, isso foi apenas consequência de me revelar para mim mesmo. É incrivel como podemos morrer sem sabermos quem nós somos, mas decidir romper com essa barreira que construímos].

Fazemos muralhas de proteção contra nós mesmos, fugimos de quem realmente somos, a verdadeira razão disso ainda desconheço. Mas a principio quero deixar que não sou pessimista em relação ao homem, ou seja, espero que o motivo de nos escondermos de nós mesmo não seja, como diria alguns, pela nossa animalidade e, por sermos, "ruins" [na falta de uma palavra melhor, vai essa mesma]. Talvez fujamos do trabalho, exatamente isso.

Explico melhor agora, a primeira coisa que sentimos quando nos vemos é vergonha [para alguns devido a uma falta moral, para outros por não terem iluminação, ou seja, por não terem conseguido romper as estruturas do pensamento tradicional]. Restando-nos duas coisas a fazer para escapar da vergonha de "fracassarmos": ou trabalhamos para mudarmos ou corremos com todas as nossas forças para um esconderigio secreto, onde ninguém possa nos encontrar, principalmente a gente.

Bem..., o que posso dizer, [melhor que seja a verdade], eu em tempos atrás me olhei e decidi começar a trabalhar na minha mudança. Mas como ela é difícil, você tem q lutar contra vc em quase tudo, seja em coisas simples, como a leitura de livros [até pq num sou nenhum autodidata em comportamento humano, nem muito menos em filosofia], seja em mudanças de hábitos do dia-a-dia e em outras mais sérias, como encarar-se sem fugir.

Enfim...,[agora me sinto cansado, tenho me empenhado na escavação desta caverna, mas ela ainda é muito incipiente em riquezas]. Como havia dito no começo, tenho um propósito, mas não tenho certeza se irei conseguir atingí-lo. A cada dia que passa tenho abandonado os pequenos hábitos de mudança e se eles não voltarem, certamente continuarei o mesmo, e talvez pior do que antes, serei uma estatua de sal.

Mas vou continuar lutando, como último esforço, pelo menos na exploração da caverna.
Quem sabe me tornarei um João Batista endireitando as veredas: _ Seres da luz deixai a luz ofuscante e vinde para as sombras da incerteza.