sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Balança

A balança foi posta, medidos os pormenores, sorriu por saber que poderia ir. Ainda há as indeterminações recorrentes, já que a força do coração apenas despertou e as incompletudes já se apresentaram, trazendo os questionamentos a respeito do futuro. Dias se passam, as interrogações surgem, mas elas não andam só, acompanharam-se de um difícil sentimento de ser levado, são afirmativas que falam do fim. Anda na realidade indagando-se, acontecerá o romper no seu interior? Seu próposito firme é de ir até o fim, não desistirá de lutar. Sempre foi assim e não mudou. A esperança no seu coração.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ponto "X"

Um lugar ainda vázio e, por estranho que pareça, ele existe por teimosia, nem sempre minha. Pessoas vão e vem, as "bacanas" simplesmente não combinam, as interessantes demonstram desinteressadas cedo demais. Quando o outro lado se entusiasma, eu sinto que não me encaixo e assim sigo, saindo e entrando, indo e vindo, de um lado ao outro, acertando e errando, as vezes, nem tão firme, baqueando; em alguns momentos, nostalgia chega a ser sobrenome, outras vezes, vou livremente como pássaro solto no ar, desinibido, sendo o amante de amores passageiros. Na verdade, eu só quero me perder novamente e continuar assim, até o tempo do fim acertado, do qual não reste arrependimentos, tristeza sim por que é natural sentir o coração apertado na hora da despedida. E por querer a incerteza eu caminho em veredas que não estão prontas e onde tudo oscila, seja a luz, o chão, o ar, a visão, nelas tanto pode fazer Sol ou uma chuva tempestuosa, sem nem sabermos de onde vieram, simplesmente, a imprecisão é uma constante, por que cedo ou tarde ela se apresentará, exatemente isso, lá as estações mudam repentinamente, e isso pega desprevenido ao que se lança com coragem de ir até o fim. Encontrar o equilibrio, se existe nesse caso, é o "x" da questão. Na realidade, não há ponto de equilibrio, os que buscarem por ele não conseguiram o que almejam, é um outro que deve existir, o de mutação. Ter a habilidade de desenvolver a mudança, de trazer aguá no deserto, de ser Primavera em Eras Glaciais, de podar espinhos, de desprender-se de paradigmas. Transformação é a palavra!
As minhas palavras falam de mim, mas eu consigo conjugá-las em verbos expressos pela boca? Fazer-me ser ouvido é o meu ponto "x". Esta na palavra o germen da mutação, quero expremí-lo para que o vázio já não seja.
*P.S: Hoje, por escrever para mim, exclusivamente, deixei a coerência.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Perdão...

A fragilidade da vida se revelou. Não sabia que aconteceria tão repentinamente e com tanta força. Temia que acontecesse. Via tardiamente seus próprios erros, a sua medida, fez as correções, era insatisfeito consigo, porque sentia que ainda falhava, a sua imperfeição era gritante a seus olhos, sempre tinha o seu próprio dedo apontado para si. Transparecia sensibilidade, leveza, docilidade. Na realidade, era seu exercício diário incorporar essas qualidades ao seu caráter. Então, chegou o fogo para provar-lhe de que é feito. O dia mal veio e com ele, o sensível mostrou sua cegueira, o leve se tornou insuportavelmente pesado. Caiu no seu próprio engano de achar que traria luz. A escuridão se apresentou e nela foi arremessado. Sentiu-se imobilizado e atado pela sua precipitação. Não sabe como se desvencilhar, porque justo o que é desgovernado, o coração, é que o governa. Sua razão é incrivelmente desajuizada. Não é hábil em seguir caminhos lógicos. É atraído pelo risco dos caminhos do coração. Como premonição, vinha a sua mente, espere o melhor momento, reflita mais, pense, espere. Mas de súbito tudo mudou. O coração dizia aja logo. E foi, seguiu o mais forte nele. Gostar é sofrer. Amar o que será? Recolhe-se no silêncio. Ouve dentro de si, aguarde. Depois do leite derramado, o que se espera é o reconhecimento de quem derramou. Eu derramei. Eu derramei. Sou o menino que erra. Sou o homem que aceita as conseqüências do que plantou. Perguntasse, afinal quem sou? Quais são as minhas sementes? Olha a terra ferida e machucada. Diz para si, esperarei o tempo de cultivar chegar novamente. Recorda-se da infância, do colégio, do reencontro, do DNA, da menina e do menino juntos. Sente as indeterminações do futuro. Tudo em um dia, tudo em poucas horas. Busca a coragem de olhar nos olhos e pedir perdão. Cabisbaixo rubro.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Lua Dourada

Lua testemunha, de uma ponta negra, onde dois puderam ser um. Histórias construídas do acaso da vida. Encantos que nascem simplesmente pela vontade. Palavras, olhares, toques, pele, tudo se conjulgou, tudo foi, até o fim. A lua foi a cúmplice, a coadjuvante, dos atores que decidiram ir. E foram, não temiam, se entregaram. A lua foi o álibe dos encontros, dos beijos, dos toques, de tudo, da vida. A lua doce e ancantadora não tinha do que se envergonhar, ela contemplava os livres, os desavergonhadamente imprevisíveis, aqueles que decidiram ir. E o destino que uniu, também os separou, justo em um dia de uma lua dourada, vestida para os amantes, mal sabia ela que já não os veria mais. No dia sublime, onde a lua tocava o mar, e o mar aceitava o seu toque. Eles não se tocavam, não se olhavam, preferiram olhar a lua. Entristecida, ela não resistiu, se escondeu. Fugiu do mar e foi para trás de uma nuvem escura. Não queria ser vista assim, no dia em que ela saiu para a alegria. A lua se entristeceu por saber que tudo é uma passagem, na vida dos homens tudo passa, seja o amor, seja a dor, passam. Foram os três com a vida. A lua, eu e você.

E simplesmente por não querer deixar passar, fica aqui, para sempre aqui, a estranha saudade daquele que se despediu.

Foi num dia desse...

Dias que se repetem, angústias que retomam o lugar. Como moradores reinvindincando a posse da terra. Pertencemos a este lugar, somos desta terra. O coração é nosso lugar, não podem nos tirar daqui. Não podem nos tirar daqui. Estranho é saber que não era para ser assim, ou melhor, havia indícios de que não seria, mas os sonhos foram desfeitos, e hoje é mais um dia de coração apertado. Minha sensação é de terem quebrado meu espírito, entreguei este poder, dei. Sei que não fez por mal, nem por pretensão de vangloriar-se pelo apego de outrem, sei que fez por não saber que tinha tal poder.
Queria o descanso, a paz de volta, mas estes dias são apenas de angustias. A irracionalidade volta gritando, querendo encontrar repouso na alma, e aproveita a fragilidade para sussurrar nos meus ouvidos, veja se consegue sondar algo nas palavras, elas podem dizer novidades. Veneno para a alma é se curvar diante das nossas fraquezas. Infelizmente hoje, não sou forte e fui, vi a prosa, li e reli, perguntas vem a mente, a vontade de entender cada palavra, cada significado, num descontrole de me achar nelas. Onde será que eu estou? qual será o meu paragrafo? Não me vi em nenhum, a não ser no "menino que gostava", seria eu mesmo, estaria ali no passado, difícil acreditar ou aceitar quando na realidade eu queria ser o presente e o futuro.